A banda Cream foi uma das mais importantes e populares bandas de rock dos anos 1960, mesmo com uma duração curtíssima de apenas dois anos. Mas legaram uma grande obra ao rock em seus quatro álbuns de estúdio e na memória de seus concertos antológicos. Celebrando os 50 anos do fim do grupo, será lançada uma box set com a turnê de despedida.

Cream: Goodbye Tour Live 1968 copila uma sequência completa de shows da turnê de despedida do grupo, que foi anunciada previamente na época, por meio de concertos nos EUA e o último show no Royal Albert Hall, em Londres, em 26 novembro de 1968. A caixa traz 36 faixas, das quais 19 nunca haviam sido lançadas na íntegra.

Além disso, apesar de algumas faixas já terem sido lançadas em outros lançamentos, o concerto do Royal Albert Hall será lançado oficialmente em áudio pela primeira vez, pois estava disponível – desde os anos 1960, é verdade, quando foi filmado e exibido como um especial de TV – em vídeo doméstico, inclusive, DVD em anos recentes.

O Cream em 1967: Bruce, Baker e Clapton.

Segue o set list oficial:

Cream – ‘Goodbye Tour Live 1968’ Track List

Disc 1: Oakland Coliseum Arena
1. “White Room”
2. “Politician”
3. “Crossroads”
4. “Sunshine of Your Love”
5. “Spoonful”
6. “Deserted Cities of the Heart”
7. “Passing the Time”
8. “I’m So Glad”

Disc 2: The Forum, Los Angeles
1. “Introduction”
2. “White Room”
3. “Politician”
4. “I’m So Glad”
5. “Sitting on Top of the World”
6. “Crossroads”
7. “Sunshine of Your Love”
8. “Traintime”
9. “Toad”
10. “Spoonful”

Disc 3: San Diego Sports Arena
1. “White Room”
2. “Politician”
3. “I’m So Glad”
4. “Sitting on Top of the World”
5. “Sunshine of Your Love”
6. “Crossroads”
7. “Traintime”
8. “Toad”
9. “Spoonful”

Disc 4: Royal Albert Hall, London
1. “White Room”
2. “Politician”
3. “I’m So Glad”
4. “Sitting on Top of the World”
5. “Crossroads”
6. “Toad”
7. “Spoonful”
8. “Sunshine of Your Love”
9. “Steppin’ Out”

O Cream fez sucesso com seus discos e gravações notáveis, como Sunshine of your love, White room, Strange brew e Tales of brave Ullysses, porém, ficou muito mais marcada pelos shows explosivos que produzia. Afinal, em 1966, o jornal Melody Maker fez um ranking dos melhores instrumentistas da Inglaterra e o resultado foi Eric Clapton na guitarra, Jack Bruce no baixo e Ginger Baker na bateria. Embalado em uma nuvem de glória e chamado de “deus da guitarra” enquanto estava nos The Bluesbreakers de John Mayall e já tendo passado pelos The Yardbirds, Clapton leu a reportagem e teve a ideia fulminante: por que não reunir o trio em uma banda? Foi o que ele fez!

FEBRUARY 1968: British Rock Group “Cream” poses for a February 1968 portrait. L-Rt: Eric Clapton, Ginger Baker, Jack Bruce. (Photo by Michael Ochs Archives/Getty Images)

A reunião dos três melhores e mais famosos instrumentistas britânicos em um grupo causou uma grande sensação na imprensa e o Cream nasceu com sucesso desde o primeiro show. E não decepcionou: como não podia deixar de ser, cada um explorava ao máximo suas habilidades nos shows, transformando os concertos em momentos de muita improvisação e potência sonora em longas jam sessions que transformavam canções de 3 minutos em suítes de 10, 12 15 minutos de pura extrapolação musical.

É essa marca que Goodbye Tour explora em seus quatro discos e é o que Eric Clapton reconhece no press release oficial:

O Cream era um circo trêmulo de personalidade diversas que aconteceu de criar junto um cataclismo… Cada um de nós poderia ter tocado desacompanhado por um longo período de tempo. Então, colocar nós três juntos diante de uma plateia dispostos a cavar sem limites… Nós poderíamos ter feito isso para sempre… e fizemos… apenas seguindo a lua cada vez que tocamos.

O confronto de instrumentos nos palcos só não era maior do que o dos egos dos músicos entre si, especialmente, entre Baker e Bruce, que tinham uma relação de amor-ódio, muito mais marcado pelo ódio. No fim, após a reunião na primavera de 1966, a banda já encerrou as atividades no outono de 1968, realizando seu último concerto. O álbum Goodbye – que trazia algumas faixas de estúdio – incluindo o último hit, Badge – e outras gravações em estúdio (tiradas do show no LA Forum), chegou às lojas em fevereiro de 1969, atingindo o 1º lugar das paradas britânicas e o 2º lugar na Billboard americana.

O Cream psicodélico em 1967.

Bruce seguiu carreira solo e nunca mais gozou de popularidade, embora tenha continuado como um músico respeitadíssimo. Clapton e Baker se reuniram ainda mais brevemente na banda Blind Faith (que lançou um único disco em 1969), e enquanto o baterista seguiu uma carreira tortosa, marcada pelo vício em drogas, Clapton seguiu em uma vitoriosa carreira solo e permanece até hoje como um dos maiores nomes do rock.

Para além da existência curta – embora ainda legou quatro álbuns de estúdio (Fresh Cream, 1966; Disraeli Gears, 1967; Wheels of Fire, 1968; Goodbye, 1969 – mais os ao vivo Live Cream I e II, 1970 e 1971) – o Cream se reuniu poucas vezes, a última delas em 2005, quando o trio promoveu alguns concertos e os lançou em CD e DVD.

Cream: Goodbye Tour – Live 1968 é produzido por Bill Levenson, com os concertos dos EUA remasterizados a partir das fitas analógicas por Kevin Reeves na Universal Mastering, no Tenesseee; enquanto o show do Royal Albert Hall foi transferido das fitas analógicas por Jason NeSmith no Chase Park, na Georgia. O box vem com um livro escrito por David Fricke, da revista Rolling Stones e fotos dos concertos. O box set está em pré-venda e será lançado no dia 07 de fevereiro de 2020.

Ironicamente, dez dias depois, o guitarrista Eric Clapton, o último dos membros remanescentes da banda, irá apresentar um tributo ao baterista Ginger Baker, que faleceu no mês passado. O baixista Jack Bruce já havia morrido em 2014.

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