O Bleeding Cool trouxe uma notícia que deve ser servir como uma avalanche no mundo dos quadrinhos: a DC Comics demitiu seu principal editor – formalmente copublisher – Dan DiDio na esteira da preparação de um reboot completo de sua cronologia.

Dan DiDio.

Peraí, um reboot de novo?

Isso mesmo!

A notícia da demissão de DiDio vem com surpresa e tem uma grande importância, afinal, ele foi o principal nome do editorial da DC Comics desde 2002. Figura polêmica entre os fãs, ele esteve por trás de muitos dos movimentos da editora de Superman, Batman e Mulher-Maravilha nas últimas duas décadas para o bem e para o mal. Desde 2011, DiDio ocupava o cargo de copublisher, dividindo-o com o desenhista Jim Lee, enquanto o escritor Geoff Johns era o Diretor Criativo da DC Entertainment.

A trinca Didio, Lee e Johns foi a grande articuladora de Os Novos 52, um grande reboot que zerou a cronologia dos heróis da DC em 2011 ao mesmo tempo em que preparava as bases para as adaptações de seus personagens aos cinemas em um universo compartilhado, na qual os três também tiveram bastante influência. Johns, por exemplo, chegou a ser o presidente da DC Films, enquanto DiDio também ocupou o cargo de Vice Diretor Sênior da DC.

Isto traz à tona a segunda parte da notícia: um novo reboot da DC Comics.

Segundo o Bleeding Cool, a demissão de DiDio está relacionada a isso, o que parece induzir que o editor era contrário à ideia. Mas não está bem claro. Nos próximos dias devem aparecer mais informações.

De qualquer modo, é temerário que a DC esteja planejando outro reboot. Afinal, em 2011 já houve Os Novos 52, que “mudou tudo”, algo que já foi desfeito com um outro reboot em 2018, com o Rebirth/ Renascimento. Mais outro reboot agora?

Capa oficial de Rebirth 01. De quem é essa mão?

Ah, vale lembrar que, após um retcon (que é algo menos radical do que um reboot) em 1963 – estabelecendo a noção de realidades alternativas no Universo DC – a editora realizou um grande reboot em 1985, com Crise nas Infinitas Terras; mas outros se seguiram, com Zero Hora (1994) e Crise Infinita (2006).

Chamado 5G ou Generation Five, segundo o site, o tal reboot irá desfazer todos os reboots anteriores e oficializar os eventos de seu universo a partir das décadas que ocorreram, estabelecendo cinco gerações de heróis:

  • Geração 1: com o surgimento da Mulher-Maravilha durante a I Guerra Mundial, sendo ela o primeiro super-herói a surgir;
  • Geração 2: com o início do Universo DC mais tradicional, a partir da aparição do Superman e os demais heróis, indo até a Crise nas Infinitas Terras (1985);
  • Geração 3: Indo da Crise nas Infinitas Terras até a saga Flashpoint (2011), que antecedeu o reboot de Os Novos 52;
  • Geração 4: o mundo atual;
  • Geração 5: o futuro, com o surgimento da Legião dos Super-Heróis.

Aparentemente, 5G vai fazer com que os eventos dos quadrinhos que ocorreram nos anos 1970, por exemplo, tenham ocorrido realmente nos anos 1970, o que irá implicar, desse modo, no envelhecimento dos heróis.

Em consequência, é previsto que Bruce Wayne, por exemplo, deixe de ser o Batman, por causa de sua idade avançada, e o legado do cavaleiro das trevas seja adotado por outra pessoa, ou seja, outro personagem se tornará o Batman, assim como ocorrerá com o Flash, Aquaman, Lanterna Verde etc.

O papel do Superman nisso não é claro, porque, hipoteticamente, em várias versões, o homem de aço é meio imortal, e portanto, não envelheceria. Ou envelheceria em um ritmo muito mais lento do que os demais. O mesmo valeria à Mulher-Maravilha.

Essas informações já geram uma enorme preocupação entre os fãs e a imprensa de quadrinhos, porque antevem uma jogada desastrosa da DC Comics, que pode enterrar de vez seu universo, suas HQs e a própria indústria de quadrinhos, que luta para sobreviver num mundo em que os jovens descobriram outras diversões além de ler revistas coloridas de papel.

Além disso, é irritante a obsessão da DC Comics em fazer reboots do seu universo. Organizar uma cronologia coerente após mais de 80 anos de publicação, marcados ainda por inúmeros reboots – que são parte grande do problema ao “desfazerem” o que foi feito antes e, como no ditado, quase sempre, a emenda sair pior do que o problema – é uma tarefa inglória e impossível. Muito melhor seria relaxar quanto à cronologia, deixar apenas parâmetros mínimos, e se concentrar em contar boas histórias, com tramas e temas inovadores, que ressoem no século XXI.

Um novo reboot forçará à origem do Superman ser zerada e renovada pela 10ª vez, ao ponto do grande público simplesmente nem ligar. E nem os fãs de quadrinhos!