Não é uma surpresa, mas é um alívio! Durante um painel da DC FanDome, o novo publisher da DC Comics e Diretor do Escritório de Criação da DC Entertainment, Jim Lee, afirmou que o megaevento 5G não irá mais acontecer. Seria mais um reboot dos quadrinhos da editora.

A notícia de que o 5G iria ocorrer foi publicada há alguns meses atrás, e seria uma aventura que iria envelhecer os principais personagens da DC para substituí-los por uma nova geração de heróis, ao mesmo tempo em que estabeleceria uma nova cronologia para o Universo DC. Aparentemente, o evento estava sendo desenvolvido por Dan Didio, o ex-copublisher da DC Comics – cargo que dividia com Jim Lee desde 2011.

Mas de lá para cá tudo mudou: Didio foi demitido da editora e, semanas atrás, ocorreu uma grande mudança administrativa na WarnerMedia, a empresa-mãe da DC Comics, o que atingiu bastante a editora, com as demissões do editor-chefe Bob Harras, de vários editores, e muito mais. A mudança catapultou Jim Lee como o principal nome da editora e de todos os seus licenciamentos, incluindo o cinema. (Curiosamente, até agora, nada foi dito sobre Geoff Johns, que era o antigo Diretor Criativo da empresa, cargo agora ocupado por Lee).

E Lee falou que o 5G não irá mais acontecer:

[O 5G] não irá acontecer. Não haverá um projeto chamado 5G ou um grande reboot, ou qualquer coisa parecida. Nós realmente queremos focar em títulos individuais e organicamente construir personagens individuais ao longo do próximo ano. Temos um monte de ideias flutuando por aí e mais do que jogar tudo de uma vez em um único mês e renumerar a linha [de revistas] e encarar aquele pico nas vendas que dura realmente pouco tempo… Vamos apenas gravitar as histórias, as ideias e os conceitos que amamos e construí-las em uma mitologia, na mitologia corrente, de um jeito muito orgânico.

As entrelinhas da fala de Lee parecem apontar que algumas mudanças irão ocorrer, mas de um modo mais orgânico, ou seja, desenvolvido nas próprias histórias.

De fato, nos últimos anos, a DC vem sofrendo pela falta de representatividade, enquanto a Marvel deu passos largos nesse sentido, inclusive, substituindo – ainda que temporariamente – vários de seus personagens principais por outros etnicamente diversos, como uma mulher negra como Homem de Ferro, um Hulk asiático, um Capitão América negro, dentre vários outros. Mas principalmente, a iniciativa gerou vários personagens novos (ou variantes) mais diversificados, dentre os quais, Miss Marvel (uma menina muçulmana) e Miss América (uma garota latina) são bons exemplos.

A DC fez alguns movimentos, como dois Lanternas Verdes – uma latina e um muçulmano – mas ainda é pouco dentro de seu universo tão marcadamente caucasiano.

Jim Lee nasceu na Coreia do Sul – embora tenha se criado nos EUA – e isso parece um indicador de que a Warner está preocupada em diversidade quanto à DC Comics.

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Que a editora consiga aumentar a diversidade em seu universo de personagens é algo bem-vindo, mas que isso seja feito sem reboots. O HQRock já comentou a situação várias vezes, mas a editora criou uma obsessão pelos reboots e isso faz muito mal aos seus fãs e à sua relevância no mercado.

A DC criou seu primeiro reboot em 1985, com a saga Crise nas Infinitas Terras, que organizou a cronologia da editora, que pulicava suas histórias desde 1938 e tinha comprado outras editoras e seus personagens ao longo desse longo tempo. Mas depois desse bem-sucedida empreitada, vieram inúmeros outras reformulações: Zero Hora, Crise Infinita, Crise Final… Em 2011, a DC promoveu seu reboot mais extensivo desde aquele primeiro e lançou Os Novos 52, apenas para já promover outro em 2016, com Renascimento.

Embora essas jogadas editoriais aumentem momentaneamente as vendas de revistas, terminam por se esgotar em poucos meses e afastar os leitores, além de deixar suas histórias simplesmente ininteligíveis a qualquer novo leitor que queira iniciar a leitura de tais personagens.