Esses dias, o jornal Liverpool Express publicou uma reportagem que mostra que o The Cavern Club, clube que ajudou a lançar os Beatles, corre o sério risco de fechar as portas por causa da pandemia mundial do novo Coronavírus. A diretoria da empresa aguarda a liberação do retorno dos shows ao vivo no fim de agosto pela oportunidade de virar o jogo.

Os Beatles no Cavern Club em 1962.

Segundo o jornal, o Cavern Club recebia 800 mil visitantes por ano e, como parte da empresa Cavern City Tours, corresponde a uma fatia importante da economia em torno do turismo sobre os Beatles em Liverpool, que movimenta 100 milhões de Libras por ano.

Entrevistado, um dos diretores da empresa, Bill Henckle, que também é membro do Conselho Municipal de Liverpool – algo próximo a uma câmara municipal no Brasil – diz que, com as portas fechadas por causa da pandemia, o Cavern perde 30 mil Libras por semana desde março, quando começou o Lockdown. A empresa foi obrigada a demitir 20 funcionários e pode ter que dispensar outros 20 nas próximas semanas.

Henckle diz que se o clube for autorizado a funcionar com 30% da capacidade no fim do mês de agosto, como se aventa no Reino Unido, o estabelecimento ainda irá perder dinheiro, mas pelo menos estará de volta aos negócios. Sua esperança é que o pub, que fica num porão e oferece serviço de bebidas, lanches e música ao vivo, retorne em plena capacidade e possa restituir suas finanças. O diretor também aguarda que o Cavern receba a ajuda de um fundo destinado a socorrer empresas em perigo.

Enquanto o prefeito de Liverpool, Joe Anderson, lamenta a situação e diz que o governo municipal fará a sua parte, Henckle relembra que o Cavern não é apenas um museu, mas um espaço vivo da música na cidade: apesar de ser lembrado como o lugar de onde os Beatles vieram antes da fama, e de nos anos 1960 ter sido palco de artistas como Rolling Stones, Eric Clapton, The Who, Steve Wonder, David Bowie, Elton John; o Cavern continua relevante como espaço de shows na cidade, tendo recebido Oasis, Arctic Monkeys e Adele em anos mais recentes, e o ex-Beatles Paul McCartney tocou lá há apenas um ano atrás.

Situado dois andares abaixo do nível do solo na Matthew Street, no centro de Liverpool, o The Cavern Club foi fundado como um clube de Jazz, em 1957, a partir de um porão usado para armazenar alimentos. Ainda sob o nome de Quarrymen, os Beatles tocaram lá pela primeira vez em 1958, mas o grupo se associou ao estabelecimento apenas em 1960, quando o Cavern abraçou o rock e os Beatles se tornaram a banda residente da casa, tocando todos os dias na hora do almoço e também com shows noturnos nos fins de semana.

Até 1963, a banda fez 292 concertos no Cavern, mas o sucesso os levou a tocar em lugares maiores. O estabelecimento continuou aberto e sofreu uma reforma em 1966, quando foi ampliado e ganhou um café no nível do solo, mas terminou fechado em 1973, quando foi comprado pela British Railways para ser demolido e dar lugar a um tubo de ventilação para uma nova linha de metrô, que no fim, nem foi construída. O Cavern migrou para o outro lado da rua, onde foi construída uma réplica.

Mas em 1983 um grupo de investidores se reuniu e reconstruiu o Cavern no local original, usando os mesmos tijolos de antes e reabriu a casa no ano seguinte. Em 1992, com a entrada de novos sócios, foi formada a empresa Cavern City Tours, que passou a administrar o club e a realizar passeios turísticos temáticos sobre os Beatles, ao mesmo tempo em que transformaram a réplica do outro lado no Cavern Pub, um local mais espaçoso, dotado também de um restaurante. Associados ao Beatles Story, um museu sobre a banda, e organizando a Beatles Fest todo mês de agosto, o clube ajuda a movimentar uma parte importante da economia turística e cultural de Liverpool.