Apesar da pandemia mundial de Covid-19, os Estados Unidos irão realizar suas eleições presidenciais este ano, na qual o presidente Donald Trump irá tentar a reeleição. E o empresário bilionário desenvolveu o curioso hábito de usar canções de rock em seus eventos de campanha, o que tem incomodado muitos artistas contrários às ideias do presidente. E mais um se uniu à lista: o líder e compositor do Creedence Clearwater Revival, John Fogerty, veio à público reclamar do uso de uma de suas canções, Fortunate son, por Trump.

Em um vídeo nas suas redes sociais, Fogerty, criticou o uso da canção na campanha e ainda apontou uma inacreditável contradição por parte do político. O compositor disse (via Ultimate Classic Rock):

Recentemente, o presidente tem usado minha canção, Fortunate son, para seus comícios, o que eu acho contraditório para dizer o mínimo.

Fortunate son foi um single de sucesso do CCR em 1969 trazendo uma crítica à convocação de jovens para combater na Guerra do Vietnã que “esquecia” filhos de pessoas importantes. Fogerty continua:

Naqueles dias, nós ainda tínhamos a convocação [compulsória para servir o exército em tempos de guerra] e era algo ao qual eu estava muito chateado, pelo fato de que pessoas de privilégio, em outras palavras, pessoas ricas, ou pessoas que tinham uma posição e podiam usar isso para evitar a convocação e não ser pegue pelos militares. Eu fiquei muito decepcionado que esse tipo de coisa podia ocorrer e foi porque eu escrevi Fortunate son.

O músico, então, recita o início de sua canção, que tem a seguinte letra:

Alguns caras nascem para agitar a bandeira/ Oh, eles estão em vermelho, branco e azul/ Mas quando eles ouvem a banda tocar Hail to The Chief/ Eles apontam o canhão para você

Hail to The Chief é uma canção militar que celebra o chefe em comando, ou seja, o presidente. E Fogerty prossegue:

Foi exatamente isso o que ocorreu recentemente em Lafayette Park, quando o presidente decidiu fazer um passeio pelo parque, ele limpou a área com os agentes federais para que ele pudesse tirar uma foto na frente da igreja de São João com uma Bíblia. É uma canção que poderia ter sido escrita agora. Então, eu acho confuso que o presidente tenha usado minha canção para seus eventos políticos, quando vemos que ele, provavelmente, é o filho afortunado [da qual fala a canção].

O UCR reforça a crítica do compositor ao informar que, quando jovem, Trump foi convocado cinco vezes para o exército, mas usou de seu poder e de situação de privilégio para não servir na guerra. Apesar disso, recentemente, o presidente disse que os soldados que morrem na guerra são “perdedores” e “vacilões”.

O uso de canções de rock por Trump tem criado bastante confusão no meio musical, com artistas como Rolling Stones e Neil Young ameaçando processar o presidente ao mesmo tempo em que parece existir uma cláusula na legislação americana que permite o uso de música em campanhas sem autorização de seus autores.

O embrião do Creedence Clearwater Revival se formou ainda em 1959, em El Cerrito, na Califórnia, quando John Fogerty e seus amigos formaram uma banda ainda no Ensino Fundamental, que anos depois ganhou o reforço do irmão mais velho do guitarrista. Após anos tocando em bares e festas, o grupo interrompeu as atividades em 1966 quando John foi convocado para o exército e serviu por um ano, embora sem ir à Guerra do Vietnã.

Em 1967, Fogerty foi liberado e a banda se reuniu, mudando para Creedence Clearwater Revival e consolidando a formação com: John Fogerty (vocais, guitarras), Tom Fogerty (guitarra base), Stu Cook (baixo) e Doug Clifford (bateria).

O primeiro álbum, homônimo, da banda foi lançado em 1968 e já foi um sucesso, e se tornaram uma das bandas mais populares e importantes do rock nos EUA nos anos 1960. O CCR lançou 7 álbuns até 1972 e emplacou grandes clássicos, como Pround Mary, Bad moon rising, Fortunate son, Have you ever seen The rain? e muitas outras.