O HQRock já tinha anunciado há um bom tempo que o lançamento de uma nova versão do filme Let it Be dos Beatles iria ser acompanhado por um novo livro e, agora, está oficialmente em pré-venda: The Beatles: Get Back irá ser lançado mundialmente no dia 31 de agosto de 2021. Sim, isso mesmo, daqui há um ano!

O filme e o livro provavelmente chegariam ao público neste mês de setembro, porém, com a pandemia mundial de Covid-19 e o fechamento dos cinemas, a Apple Corps., empresa da banda, decidiu adiar o lançamento até um período em que seja mais seguro ir Às salas de cinema. E lançar o livro antes provavelmente não faria sentido.

O livro é editado pela Apple e pela Callaway Arts & Entertainment de Nova York, terá 240 páginas em papel especial, capa dura e centenas de fotografias, algumas delas inéditas, realizadas por Ethan Russell e Linda McCartney. O livro tem prefácio de Peter Jackson (de O Senhor dos Anéis), que criou a nova versão do filme; uma introdução do premiado escritor Hanif Kureishi; e organização de John Harris, autor também do livro definitivo sobre o Darkside of the Moon do Pink Floyd.

O livro consiste na descrição e adaptação dos diálogos que os membros dos Beatles travaram entre si durante os 21 dias de gravações que resultaram no álbum Let it Be, que foram fotografados por Russell e filmados por Michael Lindsay-Hogg e lançado originalmente em maio de 1970.

O projeto tem uma das histórias mais complexas e sórdidas da carreira da banda. Após um processo de tensão e mal estar entre os membros dos Beatles ao longo do ano de 1968 e da gravação do The White Album; o conjunto foi convencido por Paul McCartney a embarcar em um projeto novo e ambicioso: ensaiar um repertório de novas canções e apresentá-las em um show ao vivo, gravando tudo para lançar um álbum e filmando tudo para lançar um filme.

A banda topou e iniciou um apertado cronograma de gravações em 02 de janeiro de 1969, quando o The White Album – lançado pouco mais de um mês antes – ainda estava no primeiro lugar das paradas do Reino Unido e dos Estados Unidos. Contudo, foi tudo um desastre: o grupo estava desunido, as brigas eram constantes, o clima era ruim e as músicas novas não estavam fluindo como queriam. Tudo parecia ir ao espaço quando já no dia 10, George Harrison saiu furioso do estúdio anunciando estar deixando a banda. Foram necessárias várias reuniões para acertar a retomada dos ensaios.

Os Beatles trocaram o Twickingham Studios, que não ofereciam um ambiente bom; e construíram às pressas um estúdio novo no porão do prédio da Apple Corps., no centro de Londres, onde os ensaios e gravações foram retomados no dia 24. Contando agora com o apoio apaziguador do tecladista Billy Preston, os Beatles conseguiram fazer sua música fluir melhor, mas não estavam mais dispostos a fazer o show planejado. Então, o que fazer?

No dia 30 de janeiro de 1969, o quarteto de Liverpool simplesmente subiu no telhado do prédio da Apple e fez lá mesmo o tal show, tocando 5 canções antes de serem parados pela polícia, que atendeu ao caos em que ficou a região central da cidade quando se descobriu que os Beatles estavam tocando no telhado de um edifício. Foi o último concerto da banda e sua última aparição pública.

Saiba Tudo sobre o projeto Get Back/ Let it Be neste Dossiê Especial do HQRock.

O projeto foi encerrado, mas seus produtos demorariam a chegar ao público. O engenheiro de som Glynn Johns, que trabalhava com Rolling Stones, The Who e Led Zeppelin, foi encarregado de montar um álbum então chamado Get Back (que era o nome oficial do projeto), enquanto Michael Lindsay-Hog ia montar seu filme. Isso demorou tanto que os Beatles gravaram e lançaram o álbum Abbey Road, o último em que trabalharam juntos, antes de tudo ser finalizado. O motivo era que estavam constantemente insatisfeitos com a parte musical e foram necessários 4 versões diferentes do disco para enfim desistirem e darem os tapes ao badalado produtor norteamericano Phil Spector, que trabalhara com Lennon e Harrison em projetos solo. Spector esqueceu a ideia original de um disco despojado e fez um álbum tradicional com as gravações.

Mas quando o álbum e o filme, agora renomeados como Let it Be, chegaram ao público em maio de 1970, os Beatles já estavam separados. Paul McCartney lançara seu primeiro álbum solo e anunciou que a banda estava separada em 10 de abril de 1970.

Existem muitas críticas ao filme Let it Be, de Lindsay-Hogg, que tem uma imagem ruim, escura e granulada – porque foi filmado em 16mm para a TV e depois precisou ser ampliado frame a frame para 35 mm para o cinema – e que foi montado no estilo “cinema verdade” de documentário: sem narração, sem fio condutor, apenas as ações da banda, o que rende um filme meio sem trama, meio sem ritmo. Mas ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original e ficou marcado pela tristeza de ver a maior banda do mundo se esfacelando na tela grande.

Para celebrar os 50 anos do projeto – comemorados no início do ano – a Apple convidou Peter Jackson para restaurar a imagem e remontar o filme a partir do acesso às 56 horas originais ainda existentes. Jackson montou um novo filme – oficialmente chamado The Beatles – Get Back (restaurando o título original do projeto) – que segundo as declarações oficiais mostra que o clima pesado conhecido não foi o tom predominante e que se verá um grupo de amigos se divertindo e tocando juntos, ainda que os momentos tensos – aqui e ali – ainda permaneçam. O filme promete trazer muitas canções inéditas que não chegaram à forma final do disco ou do filme e também uma versão integral do Show do Telhado, que está resumido na outra versão.

A estreia de Get Back será em 27 de agosto de 2021 nos cinemas.