Essa ninguém viu chegando… O The New York Post divulgou hoje cedo uma notícia bombástica: Batgirl, o filme da garota-morcego da DC Comics que seria lançado no canal HBO Max como parte do DCU e relacionado aos eventos de The Flash, trazendo inclusive, o ator Michael Keaton como Batman, simplesmente foi cancelado pela Warner Bros. Discovery. Isso mesmo: o longametragem não será lançado nem no HBO Max nem nos cinemas (como circulou um rumor a algum tempo) e não será lançado em lugar nenhum, será simplesmente arquivado.

Parece inacreditável e para aqueles que consideram o TNYP um fonte não tão confiável – o que é discutível, claro – o The Wrap, bem mais especializado na cultura nerd, confirmou a notícia.

Segundo os reportes, o filme teve orçamento de US$ 70 milhões, mas as primeiras avaliações resultaram em refilmagens e mudanças que aumentaram o custo para um pouco mais de 100 milhões, e ainda assim, o estúdio não ficou satisfeito. O Post ainda diz que exibições-testes do filme não foram bem recebidas pela audiência. E que, como não estava disposto a gastar mais no projeto, e com a decisão de que os novos produtos do DCU devem ser filmes-eventos para o cinema, o estúdio optou por cancelar tudo. Fim.

Por chocante que seja a decisão, ela faz algum sentido. Não esqueçam: tudo o que está em ação hoje no DCU – o que inclui os próximos lançamentos, como Adão Negro, Shazam 2, Aquaman e o Reino Perdido, The Flash, Batgirl e até as séries de TV derivadas de The Batman (duas estão em desenvolvimento) foram todos projetos criados num momento anterior à venda da Warner Bros. para a Discovery e a nova direção da casa já demonstrou sem timidez sua completa insatisfação com os rumos do DCU até agora.

E é compreensível que eles estejam decepcionados, nos quase dez anos de DCU – puxa, nem parece – o tal universo compartilhado da DC nunca foi coeso, nunca foi lógico, nunca foi fluido e teve a maioria absoluta de seus filmes mal recebidos por público e crítica. É possível contar com os dedos de uma única mão – e irão sobrar dedos – os filmes em que houve aclamação. E do ponto de vista de negócios, mais importante ainda: apenas um deles ultrapassou a barreira de 1 bilhão de dólares nas bilheterias, o azarão Aquaman (quem diria, justamente aquele herói ridicularizado por décadas) muito em parte em cima do incrível carisma de Jason Momoa. Outro filme da DC ultrapassou o marco: Coringa, um filme Censura 18 anos, mas fora do DCU, o que esfrega na cara do estúdio o enorme potencial desses personagens, desperdiçados em produções de milhões de dólares que fracassam em despertar a empatia do público.

A Origem da Justiça reuniu Superman, Mulher-Maravilha e Batman.

Pense bem: como conceber que, apenas alguns anos após o fenômeno cultural Os Vingadores (da concorrente Marvel) você realizar um filme que reúne, numa tacada, Batman, Superman e Mulher-Maravilha e esse filme não apenas não chegar a 1 bilhão (fez “apenas” 800 milhões) e ainda ter uma recepção mista de público e crítica? É inconcebível!

A Discovery tem isso em mente e, enquanto percebe o incrível potencial do DCU, já percebeu também o óbvio: é preciso um direcionamento, uma lógica, um planejamento para fazer esse negócio funcionar. Daí, que o estúdio já comunicou que busca um executivo que seja capaz de assumir o comando do DCU de um modo similar ao que Kevin Feige faz com o MCU.

Nesta lógica, a Discovery não pretende esperar dois ou três anos até todos os projetos que estão em andamento serem lançados, e já está movendo seus pauzinhos para uma grande reforma do DCU. O cálculo do estúdio é: é melhor não lançar um filme do que ter outra “bomba” que vai negativar ainda mais a imagem do DCU. E já houve um bom punhado dessas, não acha? A imagem do DCU perante o grande público – e com o perdão aos nerds, mas eles não garantem uma sala de cinema cheia de gente no segundo fim de semana após a estreia – está arranhada e não se confia nele. Enquanto isso, quantos filmes do Marvel Studios ultrapassaram a barreira do 1 bilhão? Pelo menos uns dez!

Esta é a meta da Warner Discovery.

Com isso, pode esperar que mudanças grandes devem ocorrer naquelas produções já citadas, em especial, The Flash, que é o filme-bandeira do DCU, porque traria a grande virada, o momento em que o universo abraçaria o multiverso e exploraria a potencialidade das várias versões dos heróis da DC. Mas por outro lado, isso já foi feito na TV – o arrowverse adaptou Crise nas Infinitas Terras há não muito tempo – e, ainda, é o que o Marvel Studios está fazendo agora. Investir nas “variantes” da DC quando nem sequer se conseguiu consolidar as versões padrão dos personagens?

A Discovery pode até fazer isso – veremos no futuro breve – mas com certeza, grandes mudanças virão no processo.

Uma delas parece estar emergindo: o HQRock noticiou esses dias que Ben Affleck foi flagrado nos sets de filmagem de Aquaman e o Reino Perdido caracterizado como Bruce Wayne, indicando seu retorno ao personagem que já tinha anunciado ter abandonado; e que The Flash seria sua despedida. Ao mesmo tempo, rumores garantem que tudo mudou com a Discovery e que Affleck está sendo reposicionado sob o manto do morcego do MCU.

E cancelar o filme da Batgirl, cujo um dos grandes atrativos era justamente ter o Batman de Michael Keaton tutoreando a personagem-título (no que seria uma consequência dos eventos de The Flash, inclusive, num caminho de mescla de universos, pois o Comissário Gordon – pai da personagem – seria o mesmo J.K. Simmons, que apareceu em Liga da Justiça, na qual o Batman é Affleck) é uma coincidência?

Provavelmente, não.

Também, reflitam: afora o saudosismo nerd, faz algum sentido transformar Michael Keaton (de 70 anos de idade) no Batman principal de um universo compartilhado da DC Comics?

Ademais, o The Wrap afirmou que, a despeito do cancelamento total de Batgirl, o estúdio ficou muito contente com o trabalho dos diretores Adil El Arbi e Bilall Fallah, e da atriz protagonista Leslie Grace, e que pretende trabalhar com eles de novo no futuro. É importante lembrar que o filme Bad Boy For Life da dupla Arbil e Fallah foi muito bem recebido e que a dupla trabalhou em dois episódios da série Ms. Marvel que foram muito elogiados também.

O New York Post afirma que é o fim da DC como hobby, ou seja, que daqui em diante, a Warner Discovery vai acompanhar de perto e com atenção os movimentos do DCU para que ele cumpra seu destino de ser uma das (ou “a”) franquia(s) de maior sucesso do estúdio.