Wolverine: Grandes aventuras nos quadrinhos.
Wolverine: Grandes aventuras nos quadrinhos.

O mutante canadense Wolverine é um dos personagens mais populares dos quadrinhos mundiais. Mais famoso membro dos X-Men, Logan é também protagonista de diversas aventuras clássicas. Aproveitando o lançamento recente  de Wolverine – Imortal, filme que dá prosseguimento a saga do herói mutante mais famoso da Marvel Comics, adaptado aos cinemas pela 20th Century Fox, o HQRock apresenta uma lista com as melhores histórias já publicadas do mais esquentado dos super-heróis da Marvel.

Não foi uma tarefa fácil. Atualmente, Wolverine é o mais superexposto dos personagens do Universo Marvel, aparecendo literalmente em dezenas de revistas todo o mês. Não obstante ser um dos membros mais importantes dos X-Men, Logan também é membro dos Vingadores e da X-Force, tendo ainda suas aventuras solo.

Por isso, a lista é fragmentada em seções. Como Logan faria com suas garras. Primeiramente, selecionamos as aventuras solo do personagem, àquelas que são focadas nele prioritariamente. Em seguida, apresentamos as melhores aventuras dos X-Men nas quais Logan tem um papel de extrema importância, ao ponto de serem, também, aventuras suas.

Não há uma lista com os Vingadores, porque os maiores heróis da Terra ainda estão devendo uma aventura em que Logan realmente é o foco das atenções e ela seja algo grandioso e destacável em seu invejável currículo de grandes histórias.

Como sempre, não é uma lista definitiva. Buscou-se histórias de reconhecida qualidade e certo equilíbrio entre as contribuições clássicas e as mais recentes. Algumas outras poderiam estar presentes, mas é preciso um recorte, não é? O HQRock, então, apresenta o seu.

Então, divirta-se e mantenha a atenção, pois você pode ser fatiado por garras de adamantium a qualquer momento!

Aventuras solo:

01 – Código de Honra (Eu, Wolverine)

Por Chris Claremont (texto) e Frank Miller (arte). Originalmente publicada em Wolverine (minissérie) 01 a 04, de 1982.

Capa brasileira para Eu, Wolverine. Arte de Frank Miller.
Capa brasileira para Eu, Wolverine. Arte de Frank Miller.

Esta é a aventura definitiva de Wolverine. Um clássico imortal criado pelo escritor Chris Claremont – que escreveu as aventuras dos X-Men por 16 anos interruptos – com a contribuição espetacular da arte de Frank Miller, na época ainda um jovem artista em ascensão. A combinação do texto ágil e cheio de situações interessantes com o vigor e fôlego da arte de Miller em seu auge cria um efeito único. Também é importante lembrar, esta é a aventura que inspira o novo filme Wolverine – Imortal, o que aumenta tremendamente a responsabilidade do longametragem.

Na trama da HQ original, Logan anda meio perdido por causa da morte de sua amada Jean Grey, a Fênix, que se sacrificou em uma aventura anterior dos X-Men para que não fosse corrompida definitivamente por seus poderes incomensuráveis. Assim, o baixinho ranzinza volta à sua Terra natal, no Canadá, e fica perambulando até decidir ir ao Japão em busca de outra mulher que lhe marcara definitivamente: Mariko Yashida, uma nobre rica que conhecera em outra aventura anterior da equipe mutante.

Wolverine e Shigen em confronto mortal: arte dinâmica de Frank Miller.
Wolverine e Shigen em confronto mortal: arte dinâmica de Frank Miller.

Contudo, ao chegar ao Japão, Logan descobre que Mariko é filha do Lorde Shingen Yashida, o maior chefe criminoso do país, líder da organização ninja Tentáculo, aquela mesma que na época dava um trabalho danado ao Demolidor. (O Tentáculo fora criado na revista deste, que era escrita e desenhada por Frank Miller na época). Não obstante suas atividades criminosas, Shingen sequer cogita ver sua filha se envolver com um gaijin ocidental que, para piorar, é mais fera do que homem. Prefere dar a filha em um casamento arranjado que lhe conferirá ainda mais poder.

Revoltado, Logan decide desafiar Yashida para mostrar que é digno em um duelo. Logan se confia em suas habilidades de agente secreto e anos de ação como membro dos X-Men; enquanto Shingen é alguém já idoso. Os dois batalham usando espadas de madeira e para surpresa do mutante candadense, ele leva uma surra homérica de seu oponente a tal ponto que, apesar de ser apenas uma literal “surra de pau”, fica desacordado quebrado e destruído por vários dias, com fator de cura e tudo. (Também vale lembrar que era uma época em que os escritores pegavam mais leve com o fator de cura de Wolverine, que se manifestava mais lento e com mais limites. Nos dias de hoje, ele é praticamente um deus que não pode ser ferido).

Mas Logan não ficou só fisicamente ferido. A maior dor foi no seu orgulho. Agora, ele precisa dar a volta por cima e mostrar à sua amada e ao seu inimigo/quase sogro que é alguém não somente de valor, mas capaz de conter sua fera interior. Para isso, contará com a ajuda de uma ronin meio louca chamada Yukio, que tem uma dúvida danada se mata ou ajuda seu novo amigo.

Apesar da tendência à verborragia de Chris Claremont, A Saga do Japão, como é conhecida, é um grande clássico dos quadrinhos da Era de Bronze, mostrando como a sutileza às vezes é a maior arma. Foi a primeira história oficialmente solo de Wolverine, publicada como uma minissérie em quatro edições chamada apenas Wolverine. Mais tarde, quando lançada em encadernados, ganhou o título de Dívida de Honra, que é bem legal. Mas por algum motivo obscuro, a Marvel mudou o título da história para o estranho  Eu, Wolverine.

02 – Arma X

Por Barry Windsor-Smith (texto e arte). Originalmente publicada em Marvel Comics Presents 72 a 84, de 1991.

Arma X: clássico absoluto de Barry Windsor-Smith.
Arma X: clássico absoluto de Barry Windsor-Smith.

Houve um tempo em que o passado de Wolverine era um grande mistério. Ao longo de sua extensa temporada na revista dos X-Men, Chris Claremont se limitava apenas a deixar pequenas pistas aqui e ali sobre o personagem, mantendo o suspense. Sabia-se que suas garras de adamantium eram artificiais, implantadas em um procedimento cirúrgico, mas ninguém tinha certeza de como isso ocorreu. Mas o artista Barry Windsor-Smith ganhou a autorização da Marvel para contar como isso aconteceu.

Barry Windor-Smith era um veterano, que tinha desenhado a revista dos X-Men ainda nos anos 1960, muito antes da reformulação do título na década seguinte. Era mais famoso como desenhista do Conan, tendo lançado a versão em quadrinhos do personagem, pela Marvel, junto ao escritor Roy Thomas em 1970. Mas nos anos 1980, BWS criou um novo estilo de arte, ultradetalhado, cheio de ranhuras e de um efeito plástico sensacional. Ele voltou a desenhar algumas edições dos X-Men, ocasionalmente, se credenciando como o cara certo para fazer Arma X.

O único problema é que a publicação de Arma X, como uma minissérie de histórias curtas (de cinco páginas mais ou menos cada) dentro da revista coletiva Marvel Comics Presents, causou sérios problemas com Chris Claremont, que há época era o principal escritor do universo dos X-Men. Dizem os analistas que esta história foi o principal motivo de Claremont ter largado as revistas dos mutantes naquele mesmo ano, após 16 anos no comando. Independente de tudo isso, Arma X foi um grande sucesso e é um clássico do início da Era Sombria na Marvel.

A trama é bastante simples: vemos Logan como um solitário perdido, vivendo afastado num interior perdido do Canadá, triste com alguma coisa que a história não revela. Alguma tragédia, alguma morte. Fica claro que ele tem algum tipo de passado militar e que é um atirador de elite, mas é sequestrado por um grupo secreto e submetido a um visceral tratamento experimental que irá embutir o metal adamantium em seus ossos. O experimento é conduzido por um cientista inescrupuloso chamado apenas de “professor“. Ao longo do processo, Logan vai perdendo a sua memória, enquanto luta bravamente para não perder também a sanidade.

A história é conduzida de maneira não-linear e com uma grande tensão psicológica, o que é genial por parte de Barry Windsor-Smith, muito mais famoso por seu traço do que por seus textos. E o melhor é que apesar de mostrar o processo, a trama ainda mantém muito mistério, não revelando todos os segredos e deixando para o leitor completar algumas das lacunas.

Esta aventura sensacional já foi citada nos cinemas em duas ocasiões: em flashbacks em X-Men 2, de 2003, e de modo mais direto (e menos impactante) em X-Men Origens – Wolverine, de 2009.

03 – Origem

Por Paul Jenkins (texto) e Andy Kubert (arte), com colaboração de Joe Quesada e Bill Jemas (conceito). Originalmente publicada em Origin 01 a 06, de 2001-2002.

Origem: finalmente o passado de Wolverine revelado.
Origem: finalmente o passado de Wolverine revelado.

Se o passado de Wolverine era literalmente uma folha em branco até o final dos anos 1980, nos anos 1990 houve uma grande exploração do que ele fez antes de encontrar os X-Men. Contudo, usando artifícios nefastos como implantes de memória, os escritores só fizeram criar uma panaceia ininteligível.

Ao assumir o cargo de Editor-Chefe da Marvel, em 2000, o desenhista Joe Quesada tomou como uma de suas missões revelar definitivamente o passado de Wolverine. Sem os truques do passado recente. Para isso, vendeu a ideia ao novo Presidente do Marvel Entertainment Group, Bill Jemas, e com o sinal verde contratou a equipe explosiva de Paul Jenkins e Andy Kubert para contar essa história em uma minissérie. Origem foi publicada com grande estardalhaço e fez bastante sucesso, recebendo críticas positivas e indo muito além do circuito tradicional dos quadrinhos.

Wolverine by Andy Kubert
Cena de “Wolverine Origin”, desenhada por Andy Kubert. O início do primeiro filme solo de Wolverine foi tirado diretamente da minissérie escrita por Paul Jenkins.

Paul Jenkins é um daqueles escritores que raramente se fixam em um título mensal, mais conhecido por obras fechadas, especiais e minisséries, sempre carregando no aspecto psicológico dos personagens. Além disso, isso é curioso, ele não tinha nenhum envolvimento especial com Wolverine antes deste trabalho. Já Andy Kubert tinha desenhado as revistas dos X-Men ao longo dos anos 1990 e era um habitué e preferido dos fãs. Para dar um charme extra à minissérie, Joe Quesada fez as capas, que se colocavam como verdadeiros quadros artísticos.

A trama, todavia, não resolve todos os mistérios. Ao contrário, se foca especificamente na juventude de Logan, mostrando o que aconteceu antes dele se tornar o Wolverine propriamente dito. Ainda assim, traz toneladas de novidades, inclusive, seu nome verdadeiro: James Howlett, até então nunca revelado. A história mostra que o pequeno James nasceu em Alberta no Canadá no fim do século XIX no seio de uma família muito rica. Seu pai, John Howltett era um homem muito bom. O pequeno James, infelizmente, é uma criança muito frágil, vivendo doente e acamado. Sem irmãos, termina gastando seu tempo com os filhos dos criados: a pequena Rose, uma ruiva por quem é secretamente apaixonado; e seu melhor amigo, chamado apenas de Cão, um rapaz ranzinza de aspecto sombrio. Cão é filho do capataz da fazenda, um velho beberrão chamado Thomas Logan, que tem a aparência que Wolverine terá como adulto. Como assim? Logo fica claro que o pequeno James é, na verdade, filho de sua mãe, Elizabeth, com Thomas Logan, o que ajuda a explicar também porque sua mãe tem uma grande cicatriz no formato de três linhas paralelas no ventre.

Na verdade, no início da história, o leitor é conduzido a pensar que Wolverine é o pequeno Cão Logan e só no final do primeiro capítulo fica claro que o protagonista é James.

O jovem James Howlett vê suas garras pela primeira vez: numa cena levada aos cinemas mais tarde.
O jovem James Howlett vê suas garras pela primeira vez: numa cena levada aos cinemas mais tarde.

Contudo, o caso entre Thomas Logan e  Elizabeth não está bem resolvido e o cruel capataz tenta invadir a mansão da família para reavê-la em uma noite de bebedeira, o que leva John Howlett a confrontá-lo. Na luta que se segue, John termina morto, o que leva o pequeno James a agir em desespero e descobrir suas garras (de osso) que usa para matar Thomas Logan, sem saber que este é o seu pai verdadeiro.

James foge de casa, acompanhado de Rose, perseguido pelas autoridades, por seu avô (também chamado John) e por Cão, que quer se vingar da morte de seu pai. A trama avança no tempo para mostrar como James vai crescendo ao mesmo tempo em que vai esquecendo tudo o que aconteceu, até o ponto em que passa a chamar a si mesmo de Logan. Mas Cão não desistiu de sua vingança e irá encontrá-los.

Origem não é uma história de super-heróis e, por isso, pode trazer estranheza aos leitores em geral. Mas é uma trama muito bem escrita e desenhada, que envolve o leitor, sem dar todas as respostas e tendo tratamento adulto.  Por se encerrar ainda na tenra juventude de Logan, Origem ainda deixa muito espaço para explorar o restante do passado de Wolverine, algo que também foi feito à exaustão nos anos 2000, raramente com bons resultados.

A história ainda deixa algumas pontas soltas propositadamente, especialmente quanto ao personagem Cão, que guarda muitas similaridades com o futuro vilão Dentes de Sabre e que durante muito tempo se especulou ser parente (talvez até o pai) de Wolverine. Embora não nos quadrinhos, esse gancho foi aproveitado no cinema: o primeiro capítulo de Origem é sintetizado nos primeiros 10 minutos do filme X-Men Origens – Wolverine, de 2009, sendo até bastante fiel à HQ, mas colocando o jovem Victor Creed no lugar de Cão, deixando bem claro desde o início que Wolverine e Dentes de Sabre são irmãos.

04 – Velho Logan

Por Mark Millar (texto) e Steve McNiven (arte). Originalmente publicada em Wolverine (vol. 03) 66 a 72 e Wolverine Giant-Size Old Man Logan, de 2009.

Old Man Logan, o Velho Logan: futuro desolador.
Old Man Logan, o Velho Logan: futuro desolador.

Do princípio ao fim. Old Man Logan é uma história sensacional que mostra o fim da carreira de Wolverine. É o futuro e o apocalipse já chegou. Logan é um velho solitário que precisa enfrentar um inimigo enquanto o Universo Marvel que conhecemos simplesmente foi destruído.

Mark Millar (de Guerra Civil, Kick-Ass e O Procurado) é conhecido por seus roteiros extremos e esta não é uma exceção. Se é para mostrar o final de Wolverine, tem que ser em grande estilo, não?

05 – Cavaleiros de Madripoor

Por Chris Claremont (texto) e Jim Lee (arte). Originalmente publicada em Uncanny X-Men 268, de 1990.

A histórica revista com Wolverine e Capitão América na arte de Jim Lee.
A histórica revista com Wolverine e Capitão América na arte de Jim Lee.

Os quadrinhos da Era de Bronze ainda mantinham a capacidade de contar histórias fabulosas em uma única revista e este é um dos casos. Embora pertencente a um arco ligeiramente maior dentro da revista mensal dos X-Men, Cavaleiros de Madripoor é uma história que funciona sozinha. E bem. É a mais querida entre os fãs das aventuras dos X-Men na famosíssima fase de Chris Claremont e Jim Lee, época em que os mutantes da Marvel se transformaram no maior sucesso de vendas da Marvel e dos quadrinhos em geral.

A história se passa numa época em que os X-Men estão separados, dispersos pelo mundo, depois de uma fase repleta de eventos trágicos e traumáticos. Wolverine busca refúgio na cidade-nação de Madripoor, uma megalópole no extremo oriente, marcada pelos extremos: altíssima tecnologia convivendo com tradições milenares; riquezas incalculáveis ao lado da extrema pobreza. E enquanto ao lado de sua pupila Jubileu (uma mutante adolescente que passou a cuidar após salvá-lhe a vida) procura resgatar a ex-X-Men Psylocke, que fora sequestrada pelo Tentáculo; vemos um flashback dos tempos da II Guerra Mundial em que um jovem e inexperiente Capitão América está em uma missão em Madripoor para impedir o sequestro da pequena Natasha Romanova, uma bailarina que no futuro se transformará na heroína e vingadora Viúva Negra.

Misturar personagens tipicamente da Marvel, como os membros dos Vingadores, Capitão América e Viúva Negra, com o passado misterioso de Wolverine ainda era uma novidade, e foi uma grande sacação de Claremont e Lee, que criaram uma história curta e memorável, cujo passado se conecta diretamente com os eventos do presente.

06 – Lobo Ferido

Por Chris Claremont (texto) e Barry Windsor-Smith (arte). Originalmente publicada em Uncanny X-Men 205, de 1986.

A deslubrante arte de Berry Windsor-Smith na luta de Wolverine contra Lady Letal.
A deslubrante arte de Berry Windsor-Smith na luta de Wolverine contra Lady Letal.

Aqui, outro exemplo de histórica única publicada em um número qualquer da revista mensal dos X-Men. Desta vez, o texto de Chris Claremont se encontra com a arte deslumbrante de Barry Windsor-Smith, numa história matadora: Wolverine é caçado implacavelmente pela vilã Lady Letal e seus três comparsas, agora, todos transformados em ciborgues poderosos. A arte de BWS coloca um Logan praticamente nu, embaixo de muita neve contra os ciborgues cheios de fios e cabos numa batalha selvagem. Não há muito o que dizer, apenas contemplar. E apesar de ser a revista dos X-Men, nenhum outro membro aparece aqui.

07 – Duro de Matar

Wolverine 121 com o arco Duro de Matar de Ellis e Yu.
Wolverine 121 com o arco Duro de Matar de Ellis e Yu.

Por Warren Ellis (texto) e Leinil Francis Yu (arte). Originalmente publicada em Wolverine 119 e 122, de 1997 e 1998.

Em Duro de Matar, publicada na revista mensal do personagem no fim dos anos 1990, o aclamado escritor Warren Ellis dá uma revigorada em uma má fase de Wolverine simplesmente criando uma aventura meio despretensiosa contra um grande inimigo do passado, o Fantasma Branco. Dois assassinos extremos em confronto contínuo, cada um mais mortal do que o outro, nessa história que representa o auge do artista filipino Leinil Francis Yu, na época o mais popular artista a retratar Logan.

08 – Escolhas Malditas

A bela arte de John Buscema para Wolverine versus Nick Fury.
A bela arte de John Buscema para Wolverine versus Nick Fury.

Por Tom DeFalco (texto) e John Buscema (arte). Originalmente publicada na graphic novel Bloody Choises, de 1991.

Lançada como uma graphic novel, numa época em que a Marvel investia pesadamente neste tipo de publicação (e colhia ótimos frutos), Escolhas Malditas retomava uma ambientação menos super-heroística e mais urbana de Wolverine, tal qual a Fase de Madripoor, desenvolvida pouco tempo antes. O escritor Tom DeFalco não é imediatamente vinculado à Wolverine, sendo muito mais famoso por seu trabalho com o Homem-Aranha e Thor, mas acertou em cheio nesta história especial. Na trama, Logan sai de férias, mas logo arranja encrenca com bandidos comuns e se vê envolvido na caçada de Nick Fury e a SHIELD por um grande criminoso. O bacana da edição é lidar com temas difíceis e discutir como o mutante canadense reage a eles. O final em aberto é outra boa sacada dessa história interessantíssima e muitas vezes esquecida do repertório de Wolverine. E não custa lembrar: a magnífica arte de John Buscema, aqui trabalhando com mais calma e esmero do que nas revistas mensais.

09- Novos Mutantes Parte 2

Por Brian Michael Bendis (texto) e David Finch (arte). Originalmente publicada em Ultimate X-Men 41, de 2004.

Capa de Ultimate X-Men 41.
Capa de Ultimate X-Men 41.

O Universo Ultimate foi criado em 2000 para trazer novas e mais modernas versões dos heróis da Marvel. A estreia foi com o Homem-Aranha e foi um grande sucesso. Depois, vieram os X-Men e mais tarde os Vingadores. Todos com sucesso. A longo prazo, o Universo Ultimate se tornou desnecessário, na medida em que os criadores subsequentes não mantiveram as características fortes que o diferenciava do Universo Marvel tradicional. Ainda assim, pelo menos na primeira metade da década de 2000, a empreitada rendeu boas histórias. E esta é uma delas.

A versão Ultimate dos X-Men foi criada por Mark Millar trazendo mutantes mais durões e um Wolverine que não é um herói no princípio, mas um agente infiltrado a mando do Magneto para destruir os X-Men. Mas Logan percebe a grandeza das ações da equipe e se torna um aliado. Coube ao escritor Brian Michael Bendis dar continuidade às histórias e é aqui onde Novos Mutantes Parte 2 se encaixa.

Novos Mutantes é uma trama que mostra os X-Men tendo que lidar com a emergência de vários adolescentes com poderes e sem controle. Este capítulo específico – que pode ser lido independentemente dos demais – é focado em Wolverine e na sua conversa com um anônimo jovem cujo o poder era incendiar as outras pessoas sem querer. 265 são mortos. Wolverine é destacado para conversar com ele.

Uma trama concisa e bem escrita, mostrando o talento de Bendis para o diálogo. Não à toa, pouco tempo depois, o escritor transformaria a franquia dos Vingadores no maior sucesso dos quadrinhos daquela década e colocaria Wolverine como membro deles.

10 – Inimigo de Estado

Wolverine: Inimigo de Estado: desculpa para meter a porrada em todo mundo.
Wolverine: Inimigo de Estado: desculpa para meter a porrada em todo mundo.

Por Mark Millar (texto) e John Romita Jr. (arte). Originalmente publicada em Wolverine (vol 03) 20 a 25, de 2005.

O que aconteceria se Wolverine virasse um vilão e saísse matando todo mundo no Universo Marvel? Esta é mais ou menos a premissa de Inimigo de Estado: Logan sofre uma lavagem cerebral do Tentáculo e é enviado para causar o maior estrago possível na SHIELD. Vários heróis da Marvel se intercedem e tome brigas e violência. Muita violência. Na impossibilidade de matar gente como o Demolidor ou o Capitão América, sobram para os pobres agentes da SHIELD. Coitados. O escritor Mark Millar trabalhou algumas vezes com Wolverine – em Old Man Logan e na versão Ultimate dos X-Men), mas esta é a sua grande história do personagem na cronologia padrão da Marvel. A arte cabe a John Romita Jr., que é filho do criador visual do personagem. Romita Jr. já conhecia Logan de velhas datas, tendo desenhado a revista Uncanny X-Men em meados dos anos 1980 e retornado algumas vezes anos depois. A mistura do texto adulto de Millar e de uma versão ultraviolenta do desenho de Romita Jr. seria reprisada na série de histórias de Kick-Ass, que foi criado pela dupla pouco depois.

Bônus:

Círculo Vicioso

Selvagem confronto entre Hulk e Wolverine por Todd McFarlane.
Selvagem confronto entre Hulk e Wolverine por Todd McFarlane.

Por Peter David (texto) e Todd McFarlane (arte). Originalmente publicada em Incredible Hulk 340, de 1988.

Wolverine surgiu em uma história do Hulk, em 1974, lembram? A batalha entre os dois ficou inacabada. Mas parece que o rancor permaneceu. Nesta aventura, anos depois, o mutante canadense reencontra o Hulk – em sua fase de cor cinza – e sequer se dão ao trabalho de conversar: partem logo para a porrada. O texto ágil de Peter David – escritor que ficou famoso com a comédia, mas que sabe carregar o drama igualmente – explora rapidamente o conflito de dois homens contra suas feras interiores: Bruce Banner e Logan. É outro caso de história única e bem sucedida. A arte de Todd McFarlane, prestes a alcançar o superestrelato no Homem-Aranha, garante uma ambientação sombria, violenta e visceral ao conflito, num dos mais impactantes confrontos da dupla.

Com os X-Men:

As melhores histórias dos X-Men nas quais Wolverine tem papel destacado e/ou protagonista.

01 – Dias de um Futuro Esquecido

Por Chris Claremont (texto) e John Byrne (texto e arte). Originalmente publicada em Uncanny X-Men 140 e 141, de 1981.

Dias de um Futuro Esquecido: clássico sobre viagens no tempo.
Dias de um Futuro Esquecido: clássico sobre viagens no tempo.

Neste clássico arco sobre futuros possíveis, a dupla genial Chris Claremont e John Byrne produz seu derradeiro trabalho. É uma das melhores aventuras dos X-Men em todos os tempos! Na trama, vemos um futuro devastador, na qual os mutantes foram impiedosamente caçados e exterminados pelos Sentinelas e apenas alguns sobreviventes estão em um campo de concentração. Wolverine é o único dos antigos X-Men ainda livre e ajuda seus companheiros em um plano suicida: lançar a consciência de Kitty Pryde ao passado, mudar os eventos e evitar aquela tragédia de ocorrer.

O plano dá certo e a velha Kitty encarna na versão adolescente dela mesma, no momento em que está ingressando nos X-Men. Agora, os X-Men do presente precisam impedir uma nova encarnação da Irmandade de Mutantes, liderada por Mística, de assassinar o Senador Robert Kelly e, com isso, dar início a toda uma cadeia de eventos que resultará no futuro mostrado.

A história se desenvolve em dois planos, mostrando os X-Men do presente e os do futuro. Estes últimos, infelizmente, não se dão tão bem e vemos-nos sendo destruídos pelos Sentinelas, inclusive, Wolverine. Ninguém deu muita importância à época, porém, vemos a morte de Wolverine!

Um grande clássico dos X-Men que será adaptado aos cinemas em breve.

02 – Glória Escarlate

Por Chris Claremont (texto) e Paul Smith (arte). Originalmente publicada em Uncanny X-Men 170 e 173, em 1983. 

Wolverine vs. Samurai de Prata na arte de Paul Smith.
Wolverine vs. Samurai de Prata na arte de Paul Smith.

Para todos os efeitos, Glória Escarlate é uma sequência de Dívida de Honra. Só que na revista dos X-Men. Agora, com a arte de Paul Smith, Chris Claremont mostra Wolverine voltando ao Japão para concretizar seus planos de se casar com Mariko Yashida. Porém, em seu caminho tem a dupla de vilões Víbora (também conhecida como Madame Hidra) e Samurai de Prata e um misterioso vilão que age nas sombras – e que edições futuras mostrariam ser o Mestre Mental.

Outra questão interessante é que este é o momento em que Logan e Vampira se conhecem e ele não gosta nem um pingo dela: afinal, em sua carreira de ex-vilã, ela roubou os poderes da Miss Marvel, amiga dele. Mas nada como uma batalha de vida e morte para construir o início de uma amizade, não é mesmo? Uma boa história – também usada para montar o filme Wolverine – Imortal – e que traz o desenhista Paul Smith prestando algumas homenagens à arte de Frank Miller para Dívida de Honra, como na luta de Wolverine contra o Samurai de Prata.

03 – Wolverine: Sozinho

A capa de Uncanny X-Men 133: outra edição importante para Wolverine. Arte de John Byrne.
A capa de Uncanny X-Men 133: outra edição importante para Wolverine. Arte de John Byrne.

Por Chris Claremont (texto) e John Byrne (texto e arte). Originalmente publicada em Uncanny X-Men 133, em 1981. 

Esta aventura é parte de um arco bem maior, A Saga da Fênix Negra, na qual Jean Grey perde os controles sobre seus novos poderes e é dominada pela consciência da Força Fênix que lhe concedeu tais poderes, virando uma vilã poderosíssima.

Neste capítulo específico, os X-Men são capturados pelo Clube do Inferno e Wolverine é o único que consegue escapar. Cabe agora a Logan ter que entrar sorrateiramente sozinho na base do Clube do Inferno e libertar seus amigos. Vale lembrar que esta era uma época em que Wolverine estava apenas começando a ser um membro de destaque da equipe e esta aventura foi importante para firmar-lo.

Créditos para o desenhista e roteirista John Byrne, que não somente consolidou o visual do personagem, como também incrementou seu temperamento, por ser também canadense.

04 – A Última Corrida

Fantástica capa de Alan Davis para o segundo round de Wolverine contra Dentes de Sabre.
Fantástica capa de Alan Davis para o segundo round de Wolverine contra Dentes de Sabre.

Por Chris Claremont (texto) e Rick Leonardi e Alan Davis (arte). Originalmente publicada em Uncanny X-Men 212 e 213, em 1986.

Esta história em duas partes faz parte de um arco bem maior, o Massacre de Mutantes, que correu nas revistas dos X-Men, X-Factor, Novos Mutantes e até Thor e Demolidor! Mas o recorte que fazemos aqui é específico: já em meio ao final da história. Com seus sentidos superaguçados, Wolverine percorre os túneis subterrâneos onde viviam os Morlocks (mutantes que eram feios, deformados ou desajustados demais para viver na sociedade comum e optaram por se isolar no subterrâneo de Nova York), em busca de pistas sobre os Carrascos, grupo que cometeu a carnificina. E qual não é a surpresa de Logan ao descobrir que seu velho conhecido (e inimigo) Dentes de Sabre é um dos membros da gangue? Em X-Men 212 (com arte de Rick Leonardi) se dá o primeiro confronto entre os dois; mas o melhor se dá a seguir, na edição 213 (com arte de Alan Davis), na qual o vilão ataca a Mansão X para um revide.

Curiosamente, apesar de Chris Claremont e John Byrne terem definido uma história comum entre Wolverine e o Dentes de Sabre – vilão que a mesma dupla criou em uma aventura do personagem Punho de Ferro – até então nunca houvera um encontro entre os dois personagens. Claremont já estabelece que os dois se conheciam e se odiavam, mas não dá muitas pistas além disso.

A partir de então, Dentes de Sabre se tornaria o principal oponente de Wolverine e teria papel cada vez maior dentro do universo particular de Logan. Contudo, poucas batalhas entre os dois foram tão marcantes e bem desenhadas quanto esta nas mãos de Alan Davis.

05 – Ômega Vermelho

O novo visual de Dentes de Sabre (esq.) por JIm Lee.
O novo visual de Dentes de Sabre (esq.) por JIm Lee.

Por John Byrne e Scott Lobdell (texto) e Jim Lee (arte). Originalmente  publicada em X-Men (vol 02) 04 a 06, de 1991.

Infeliz com os rumos editoriais dos X-Men, perdendo espaço para outros artistas como Jim Lee e Barry Windsor-Smith e brigando com o editor Bob Harras, o escritor Chris Claremont abandonou os textos dos X-Men em 1991, depois de 16 anos no comando. Coube a Jim Lee liderar os títulos mutantes, buscando auxílio (ironicamente) em John Byrne, o velho parceiro e desafeto de Claremont. Byrne e Lee criaram a trama que, imediatamente, começou a explorar o passado de Wolverine, revelando segredos de seu passado como agente secreto nos tempos da Guerra Fria, quando fazia parte de uma equipe junto a Marverick e Dentes de Sabre, que emerge com um novo visual, mais ameaçador. Um velho vilão daquela época, o Ômega Vermelho, termina reaparecendo após todo esse tempo, obrigando Logan a confrontar o seu passado.

Não é uma aventura excepcional, é verdade, mas é um exemplar de uma época em que Wolverine era o centro das atenções e os X-Men estavam no auge de sua popularidade em termos de vendas de revistas.

Bônus com os X-Men:

Capa de Wolverine 75.
Capa de Wolverine 75.

Atração Fatal

Por Scott Lobdell, Fabian Nicieza e Larry Hama (texto) e Andy Kubert e Adam Kubert (arte). Originalmente publicada em Uncanny X-Men 304, X-Men (vol 2) 25 e  Wolverine 75, de 1993.

Em termos de história em si, Atração Fatal não é nenhuma obra-prima da 9ª arte. Contudo, talvez por ter sido produzido ainda na aurora dos grandes crossovers da Marvel, no início dos anos 1990, ainda traz algumas coisas interessantes. O motivo desta história estar aqui é mais quanto ao impacto cronológico que teve. Magneto, ex-arquiinimigo e ex-aliado dos X-Men, volta à tona com fúria total, ressentido do tratamento que teve por seus ex-colegas mutantes. Realizando um grande ataque ao planeta Terra por meio de um pulso eletromagnético, o vilão é confrontado violentamente por seu ex-amigo Charles Xavier, que não vê outra escolha senão simplesmente destruir a mente de Magneto. Antes disso, porém, Magneto quer se vingar de Wolverine por quase tê-lo matá-lo na ocasião anterior em que lutaram (em X-Men 02, de 1991) e, por isso, simplesmente arranca todo o adamantium dos ossos do herói. O processo quase mata Wolverine, que precisa aprender a viver sem o metal que o tornava praticamente indestrutível. Contudo, Logan termina descobrindo que suas garras permanecem, agora, feitas de osso, desfazendo a crença generalizada de que havia sido o Projeto Arma X quem havia implantado as garras nele. Não, as garras sempre estiveram lá.

Não é uma grande história, mas pelo menos traz algo de novo e algo ligeiramente ousado. Também vale pela arte dos irmãos Kubert, aqui no auge de sua popularidade.

***

Claro que poderia haver muito mais, mas esta seleção traz algumas das principais histórias dos quadrinhos das últimas décadas e a representação daquele personagem que é o símbolo máximo da Era Sombria dos quadrinhos.

Wolverine foi criado pelo roteirista Len Wein e o desenhista John Romita como coadjuvante de uma história do Hulk, em 1974. Um ano depois, foi incorporado (também por Wein) à novíssima formação dos X-Men, e desde então, é um dos principais membros da equipe. Nos anos 1980, começou a ter suas aventuras solo e mantém-se como um dos personagens mais populares da Marvel Comics. Atualmente, também é membros dos Vingadores.