A revista Entertainment Weekly dedicou não uma, mas 16 capas (!) diferentes para Vingadores – Guerra Infinita em uma extensa reportagem sobre o filme-sensação do ano. Os detalhes da publicação ainda estão vindo à tona, mas trazem muitas novidades, especialmente a de que o vilão Thanos será um personagem complexo, que terá algumas diferenças em relação à versão original dos quadrinhos, que sua origem será contada e veremos flashbacks de sua infância e juventude; e qual é o motivo dele querer as Seis Joias do Infinito.

Nas HQs metafísicas criadas para Marvel Comics pelo escritor (e desenhista) Jim Starlin sobre Thanos, o objetivo maior do titã louco é simplesmente eliminar metade da população do Universo! E o motivo de querer isso é porque seu grande amor é ninguém menos do que A Morte. Sim, ela mesma, a entidade cósmica responsável pela passagem do mundo dos vivos para o mundo dos mortos. Ora para agradá-la, ora por recomendação dela, Thanos deseja se tornar o maior assassino da história.

Seria realmente muito difícil ver isso acontecer nos cinemas, e a motivação do vilão sofreu algumas mudanças em Guerra Infinita. Falando à EW, o presidente do Marvel Studios, Kevin Feige, entrega que motivação é essa:

[Thanos] é de um planeta chamado Titã que não é mais habitado por causa de coisas que ele pensava que poderia ajudar a previr, e não foi capaz de fazer isso. O que ele mais temia aconteceu e o planeta e todo mundo [que nele vivia] foram basicamente extintos. Ele jurou que isso não iria acontecer de novo. Ele pensa que vê o Universo saindo dos trilhos. Ele pensa que vê a vida se expandido fora de controle. Isso trará a ruína ao Universo e a estas vidas, ele acredita.

Por isso, o vilão quer eliminar metade da vida no Universo.

Isto pode ser pensado tanto como genial quanto terrível, dependendo de seu ponto de vista. E a maior parte de nosso ponto de vista diz que é terrível demais!

O ator Josh Brolin, que interpreta Thanos no filme também descreveu longamente a personalidade do titã louco, deixando claro que ele não será um malvado sem coração ou uma caricatura de vilão maluco, mas um personagem complexo e factível, cheio de camadas:

Quando você vê o relacionamento [de Thanos] com Gamora [que é descrita como filha adotiva dele em Guardiões da Galáxia Vol. 1 e 2] e o que isso envolve… Deus, eu queria poder te contar! Mas não posso. Quando [os diretores Joe e Anthony Russo] chegaram até mim depois que tínhamos feito três quartos do filme, eles disseram: “Não foi necessariamente intencional que você sentisse por esse cara tanto quanto você sentiu”. Obviamente, ele tem um grande plano, como alguém que está trazendo crianças para o seu próprio derramamento de sangue egoísta. Mas ele tem a capacidade de amar muito e profundamente. Você precisa disso para um personagem como esse, porque senão é apenas um louco solto por aí, destruindo tudo, e é menos interessante.

Brolin também comentou alguns elementos de sua origem que são bastante fieis aos quadrinhos originais:

Ele é diferente de sua família. Eles são todos titãs e sua aparência é similar, mas ele [Thanos] nasceu deformado. Você vê como ele cresceu, vê como foi um tipo de Quasímodo [o Corcunda de Notredame] de seu tempo, ou se você já leu Perfume [o livro de Patrick Süskind] é um grande paralelo a Thanos. Ele é uma anomalia, uma aberração. e isto leva a sua aparente insanidade.

Por fim, o ator fala sobre as motivações e a pretensa loucura do vilão:

Você quer fazê-lo insano, e ainda fazê-lo ter sentido, se você sair da caixa. Você pensa sobre a superpopulação e matar metade do universo como medida para salvar a outra metade e todo esse tipo de coisa. Você tem essa questão ao vê-lo. É negócio de amar e odiar, sabe?

Algumas outras pequenas surpresas estão sendo reveladas sobre o filme. A EW descreveu a gravação de duas cenas: uma com o reencontro do Capitão América e Thor, que não se vêem desde o final de Vingadores – Era de Ultron (em 2015), na qual o primeiro elogia o segundo (no meio de uma luta contra os alienígenas chamados Outriders) dizendo “cabelo curto? Fez muito bem!”; e o segundo replica: “e a barba também ficou ótima”; e outra com uma piadinha entre Rocket e Bucky Barnes (o Soldado Invernal, mas provavelmente ele não usará mais este nome), na qual o guaxinim ciborgue tenta comprar o braço mecânico do herói, demonstrando que continua com a fixação em próteses que demonstrou em Guardiões da Galáxia.

O parágrafo acima já adiantou que o exército contra quem os Vingadores e vários outros heróis irão lutar no final do filme serão os aliens Outriders, que estarão ao comando de Thanos. Parece que o titã louco se livrou dos Chitauri, não é?

Já os diretores Joe e Anthony Russo revelaram à revista que o 3º Ato de Guerra Infinita será em Wakanda – a fictícia nação africana do Pantera Negra – e o motivo disso: Thanos está em busca da Joia da Mente, que está na testa do Visão, e o Capitão América tem a ideia de escondê-lo em Wakanda, pois além de ser o país mais tecnologicamente avançado do mundo, nunca foi conquistado por nenhum outro povo, como é dito em Pantera Negra.

O comentário levou a duas considerações importantes. Primeiro, no trailer, vemos Proxima Midnight, uma das capangas de Thanos na Ordem Negra, retirando a Joia do Visão, enquanto outras cenas mostravam aparentemente o Capitão lutando contra ela. Pelo visto, o vingador exilado ao fim de Guerra Civil irá conseguir reverter a batalha e manter a Joia, obrigando-os a proteger o colega.

A outra questão é que isso põe o Visão como o McGuffin’ do filme, para usar o termo inventado por Alfred Hitchcok para o elemento que é “buscado” nos filmes e serve como motivador da trama. Até agora, se pensava que o McGufffin’ seria a Joia da Alma, pois é a única das seis Joias do Infinito que ainda não apareceu em nenhum filme.

Onde ela está, então?