Os rumores começaram já no lançamento de Liga da Justiça e ganharam força na medida em que mais notícias saiam sobre The Batman ser dirigido por Matt Reeves. Mês passado, os rumores ganharam cara de confirmação, com vários veículos sérios batendo o martelo: Ben Affleck não vai mesmo mais interpretar o Batman nos filmes da DC Comics. Porém, se faltava (faltava?) ainda alguma coisa oficial, ela veio ontem: o próprio ator disse com todas as palavras que está pendurando o capuz, em participação no programa de TV Jimmy Kimmel Live.

Kimmel pergunta se eles podem oficializar que ele não é mais o Batman, e Affleck responde:

Sim. Eu tentei dirigir uma versão dele [em The Batman] e trabalhei com um escritor realmente maravilhoso [presumivelmente, Geoff Johns, o ex-presidente da DC Films], mas não consegui realizar a minha versão… Não consegui fechá-la! Então, é hora de deixar alguém ter sua visão sobre isso. Eles [a Warner] têm realmente algumas boas pessoas [presumivelmente, Matt Reeves].

O programa de Jimmy Kimmel tem uma pegada mais de humor e, logo em seguida, o apresentador chama ao palco seu assistente, fantasiado de Robin, trazendo um capuz do Batman, presumivelmente usado por Affleck nos filmes, mas a capa tem escrito nas costas Bataffleck e o número 12, e Affleck brinca que não se pode fazer sucesso nesse país sem ter o número 12 consigo, numa referência a seu amigo Tom Brady, que é o maior jogador de futebol americano da atualidade, e um amigo de Affleck – com quem até se envolveu em um pretenso e controverso escândalo sexual.

Ben Affleck como Bruce Wayne.

Affleck ainda disse que o número sempre esteve lá e a Warner gastou milhões de dólares para apagar dos filmes.

Como se tudo isso não fosse o bastante, Kimmel ainda entrega o Prêmio Matt Damon – outro grande amigo de Affleck – pelo papel do Batman, o que consiste em uma cueca dourada, que o ator cheira com força quando recebe.

No fim, Kimmel, pergunta o que Affleck diria em um comunicado oficial sobre deixar o papel e o ator apenas disse:

Não sei… “Eu não sou o Batman”?.

Pronto. É o fim!

É uma pena. Repetimos aqui algo já dito outras vezes: mesmo com uma série de desacertos, uma das coisas o que os filmes do natimorto (?) Universo DC nos Cinemas tinha de melhor era o Batman de Ben Affleck. Embora tenhamos tido um vislumbre de um homem-morcego mais velho e calejado em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), de Christopher Nolan; a abordagem do vigilante perdido e meio sem orientação após 20 anos de combate ao crime, e que enfurecido e assustado pela emergência de uma “ameaça” como o Superman, que ele não entende e não pode deter, vivido por Affleck em Batman vs. Superman – A Origem da Justiça foi uma grande ousadia, e um acerto.

Do visual incrível passando por seu drama pessoal, foi uma grande adesão à lenda cinematográfica do Batman.

E embora Liga da Justiça seja meio uma lambança que não exibe nem a visão de Zack Snyder (que o imaginou) nem a de Joss Whedon (que o finalizou? – pergunta, porque o filme claramente foi lançado inacabado e isso não é culpa de Whedon, mas da Warner); a reunião dos maiores heróis da DC Comics tem alguns bons momentos e ideias, e uma delas, de novo, é a visão humana do Batman em meio aqueles caras superpoderosos, se mostrando não apenas alguém de habilidades incríveis – mesmo sendo apenas humano – um homem inteligentíssimo que está à frente de todos os outros o tempo todo.

Mas Hollywood é um mundo cruel e se Liga da Justiça foi um fracasso, alguém tem que levar a culpa, e a imprensa e o Hollywood decidiram que Ben Affleck era esse culpado, mesmo ele tendo feito seu trabalho exemplarmente. Ninguém culpa Zack Snyder por ter criado um Universo DC que o público não criou empatia; ninguém culpa a Warner Bros. por não realizar mudanças; e de novo, ninguém culpa o estúdio por ter lançado Liga da Justiça inacabado, faltando até efeitos especiais!!!!! (O Lobo da Estepe é diferente a cada vez que aparece e a boca do Superman – que teve que apagar digitalmente o bigode que Henry Cavill não podia raspar por contrato com outro estúdio).

Falando em culpados, ninguém fala sobre Gal Gadot, bonita e carismática, mas incapaz de interpretar; ninguém fala do Flash exagerado e “vergonha alheia” de Enza Miller; de um Superman sem texto, que quase nunca tem o que fazer (inclusive em A Origem da Justiça). Não, a culpa recaiu sobre Affleck.

Bom, só resta lamentar. E esperar que Matt Reeves encontre um bom ator para viver sua versão do Batman e que ela seja interessante e uma adesão à lenda.