O Pink Floyd está lançando o box set The Later Years na qual coleta 16 discos trazendo o material de sua derradeira fase pós-1987, com três álbuns de estúdio, dois ao vivo e toneladas de material inédito (principalmente de shows). E o engenheiro de som da banda revela que foram regravados teclados e bateria para mudar a sonoridade do álbum A Momentary Lapse of Reason, de 1987.

O Pink Floyd ainda reunido em 2005: Richard Wright, David Gilmour e Nick Mason.

No material de divulgação do box set, noticiado pelo O Globo, Andy Jackson, o engenheiro de som da banda, afirmou que, hoje, o Pink Floyd considera o som do disco muito datado e preferiu modificá-lo na raiz, regravando alguns instrumentos.

Eles ficaram muito focados em ‘Momentary lapse of reason‘. Tudo ficara diferente sem [Roger] Waters, ele era uma força criativa muito grande e tínhamos que pensar em algo diferente. E foi por isso que o álbum saiu daquele jeito. Havia uma ideia de que deveríamos fazer um disco com sonoridade moderna. E ele tinha mesmo uma sonoridade moderna naquela época, só que hoje ele soa velho. Por isso que decidimos mexer ali, ele não se encaixava com todo o resto, ele parecia um disco feito nos anos 1980.

A capa de A Momentary Lapse of Reason, de 1987.

Nas sessões originais, em 1986, a banda procurou um som “moderno” para época e, como sempre aconteceu nesses casos, apenas conseguiu deixá-lo datado e velho. A saída foi regravar os instrumentos, especialmente, teclados e bateria. Segundo Jackson, o processo começou há muitos e muitos anos, quando o baterista Nick Mason começou a regravar suas partes da bateria para o disco, mas o tecladista Richard Wright morreu em 2008 sem realizar o trabalho, vítima de um câncer. A saída foi usar os teclados que o músico tocou nos shows ao vivo da turnê, de modo que não foi preciso usar outro músico.

O Pink Floyd cheio de excessos sonoros dos anos 80 em 1987: Wright, Mason e Gilmour.

Jackson ainda insiste que os overdubs não foram excessivos.

Não refizemos tantas coisas assim, foram só alguns pequenos pedaços, mas que fizeram uma grande diferença para o clima do disco.

No fundo, a situação é muito irônica quando se pensa que os músicos dos anos 1980 buscaram uma dita modernidade sonora apenas para deixarem suas canções velhas e datadas ao ponto de precisarem ser regravadas no século XXI. Algo que não foi necessário à carreira anterior do Pink Floyd, nos anos 1960 ou 70.

Também explícito na primeira das falas do engenheiro de som está a necessidade de autoafirmação do trio que formava o Pink Floyd naquele momento – o guitarrista David Gilmour, o tecladista Richard Wright e o baterista Nick Mason – para sair da sombra do baixista Roger Waters, que era o líder e principal compositor da banda, mas rompeu com o grupo em 1985, de modo que o trio entrou na Justiça (e ganhou) e decidiu dar prosseguimento à carreira da banda.

Pink Floyd: The Later Years chega às lojas em 29 de novembro.