Em meio à pandemia global do novo coronavírus, os prefeitos de Los Angeles e Nova York afirmaram hoje que não estão dispostos a liberar grandes eventos, como concertos musicais, até 2021.

Os Estados Unidos são um dos países mais atingidos no mundo pela Covid-19 e numa entrevista à revista musical Billboard, o prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, disse que os grandes eventos e aglomerações são parte de um circuito que deve ser interrompido até as coisas melhorarem. À CNN, foi ainda mais específico, dizendo que grandes concertos musicais, que reúnem dezenas de milhares de pessoas, são coisas que não devem acontecer em LA pelo menos antes de 2021, até que uma vacina para a Covid-19 tenha sido descoberta e a população imunizada.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom vai na mesma linha de pensamento, mas não dá uma previsão precisa de quando grandes eventos serão novamente permitidos. Afirma que dizer meses como junho, julho e agosto é improdutivo, pois as previsões não se confirmaram até agora, então, não adianta especular.

Bill De Blasio, o prefeito de Nova York, também falou à CNN e disse que já começa a planejar em algum momento futuro o relaxamento do isolamento social na cidade, mas diz que fará isso de modo gradual, com as pessoas voltando ao trabalho e as escolas voltando a funcionar. Grandes eventos para 10 mil ou 50 mil pessoas, contudo, não estão nos planos. Esses serão evitados até segunda ordem.

É um grande golpe para a indústria musical, ainda mais quando os shows se tornaram a principal fonte de renda dos artistas nesses tempos em que discos físicos não vendem mais e plataformas de streamings são conhecidas por pagar taxas de royalties muito baixas, como o HQRock comentou recentemente em uma reportagem sobre o músico e compositor David Crosby.

Em um momento em que os grandes artistas da música – e na nossa seara aqui, do rock – começavam finalmente a realizar turnês mundiais de verdade, passando por todos os continentes, a pandemia deve representar um imenso retrocesso.

Gravadoras continuarão ganhando suas “migalhas” de vendas (físicas e digitais), mas os músicos que tinham seu ganha-pão na execução de concertos terão que aprender novas formas de ganhar dinheiro. Sem shows, veremos o fim da riqueza absoluta de muitos dos grandes artistas do momento, algumas mortes, e um cenário musical totalmente novo para a nova década que se inicia.

Novas formas de divulgar músicas, shows sem público, lives na internet, e outras estratégias ainda não inventadas terão que aparecer para fazer a música mais presente na vida das pessoas e possibilitar aos artistas ganharem algum dinheiro com a profissão que escolheram. (Os roqueiros não gostam de pensar sobre isso, mas ser músico é uma profissão, é preciso ganhar dinheiro para pagar as contas, viver a vida e sustentar a família). Porém, se pinta um futuro (pelo menos no curto prazo) desolador.

E aqui não advogamos pelos grandes artistas. Os Rolling Stones talvez nunca mais façam uma grande turnê, mas mesmo que vivam ainda algumas décadas de vida, possuem um catálogo rico de gravações, podem lançar novos shows ao vivo para venda e têm à disposição mansões, propriedades rurais, coleções de carros, coleções de guitarras e mais uma série de bens, como os ricos em geral têm, para vender e manter uma vida financeira saudável e ainda muito acima do nível monetário da maioria das pessoas.

A crise será muito pior para os pequenos artistas, os independentes. Esses que vendem seus CDs nos shows e que se esforçam para divulgar suas músicas via streaming, mesmo praticamente não sendo pagos pelos Spotifys e iTunes da vida.

Como eles sobreviverão num mundo em que não podem fazer shows?