Os fãs nunca perderam a esperança de ver o Pink Floyd retornar as atividades, seja para uma turnê ou um único show. Mas as chances de isso acontecer são quase nulas. E o ex-membro Roger Waters reforça a impressão dizendo que a reunião do lendário grupo inglês seria “uma porcaria”.

Enquanto o staff do Pink Floyd está promovendo o retorno de shows clássicos via lives no YouTube para entreter os fãs nesses tempos de isolamento social por causa da pandemia global do novo coronavírus – a cada sexta-feira, às 13h (no horário de Brasília), a banda disponibiliza um filme de concerto, tendo iniciado com o Pulse, com um registro de 1994 – ; Waters foi entrevistado pela revista Rolling Stone e falou um pouco da carreira, da turnê solo que teve que adiar por causa da pandemia, de política (criticando o presidente dos EUA, Donald Trump, reclamando que os estadunidenses estão hesitantes em votar em John Biden e dando suporte a Julian Assange) e, claro, sobre sua velha banda.

Dentro do programa em vídeo Rolling Stone Interview: Special Edition, por Brian Hiatt, perguntado sobre um retorno do Pink Floyd, Roger Waters foi pessimista:

Não, não seria legal [uma volta da banda]. Ia ser uma porra de uma porcaria. Obviamente, se você é um fã do Pink Floyd daqueles tempos, você pode ter um ponto de vista diferente. Mas eu tive que passar por tudo aquilo. Esta é minha vida… Eu trocaria minha liberdade por aquelas correntes? De jeito nenhum!

Waters foi um dos fundadores do Pink Floyd, em 1965, antes da banda virar uma sensação do circuito underground de Londres, em 1967, e terminou se tornando o líder do grupo no período em que, gradativamente, deixaram de ser uma banda cult para se tornar um dos maiores sucessos da história do rock, a partir do lançamento do álbum Darkside of the Moon, de 1973. Principal compositor do grupo, Waters dividia os holofotes com o guitarrista David Gilmour, que era o vocalista principal; mas após anos de trabalhos, a tensão ficou insustentável e Waters decidiu encerrar a banda, em 1985. Mas Gilmour liderou um processo judicial para continuar a usar o nome da banda, e ganhou, de modo que se reuniu ao outros dois membros (o tecladista Richard Wright e o baterista Nick Mason) e manteve o Pink Floyd – sem Waters – por mais dez anos.

O quarteto da formação clássica se reuniu uma única vez, no concerto beneficente Live 8, em 2005, e de lá para cá, Wright morreu vítima de câncer.

David Gilmour.

Os fãs guardam a esperança de Waters e Gilmour deixarem as diferenças de lado – a dupla já chegou até a se apresentar junta algumas vezes – e fazerem o Pink Floyd regressar aos seus velhos tempos, mas isso não deve mesmo acontecer. Há não muito tempo atrás, ao divulgar o relançamento de um material pós-Waters, Gilmour disse numa entrevista que a saída do ex-companheiro da banda foi “um alívio”.

Capa de Animals, de 1977: tempos difíceis.

Também à Rolling Stone, Waters falou que tentou propor um relançamento do álbum Animals, de 1977, com material extra e sendo remasterizado e remixado, “sem que isso se tornasse uma guerra mundial”, mas segundo ele, os “outros caras” não se interessaram. Animals é uma obra que mantém estreita conexão com a obra atual de Waters, por causa de sua analogia política de crítica ao capitalismo. A turnê que Waters realizaria este ano nos EUA teria como tônica a política, com crítica à situação do país, as políticas contra a imigração, a corrida armamentista e a possível releição de Donald Trump.

O outro membro vivo, o baterista Nick Mason é totalmente a favor de uma reunião do grupo, mas não consegue fazer a dupla Waters-Gilmour chegar a um acordo. Por isso, inclusive, Mason montou uma banda cover para tocar canções do início da carreira do Pink Floyd, ainda de sua fase alternativa, a Nick Mason’s Saucerful of Secrets, com a qual fez uma turnê pelos EUA no ano passado – e contou com a participação de Waters em um dos shows.

Não é impossível que o Pink Floyd ainda se reúna daqui há alguns anos, para algum projeto especial, mas neste caso, deverá contar apenas com Gilmour e Mason. Sem Waters.

É o que tem para hoje.