Como já é bem sabido, a Warner Bros. foi adquirida pelo grupo Discovery e a Warner Media agora se chama Warner Bros. Discovery. E algumas mudanças estão ocorrendo, que envolvem diretamente o DCU, o universo da DC Comics nos cinemas. Já havíamos mencionado algumas medidas, entre elas, a afirmação do CEO da companhia, David Zaslav, que avaliava que os personagens da DC Comics estavam sendo subaproveitados e que uma nova estratégia estava sendo montada para reestruturar o DCU e seu produtos.

JUSTICE LEAGUE (2017) (L-r) EZRA MILLER as The Flash, BEN AFFLECK as Batman and GAL GADOT as Wonder Woman Credit: Clay Enos/ ™ & © DC Comics/Warner Bros.

Agora, foi anunciado (via The Hollywood Reporter) nesta quarta-feira, 01 de junho, que o chefe da linha Warner/New Line (principal responsável pelo DCU), Toby Emmerich, está de saída da companhia, e o cargo será ocupado temporariamente pela dupla Michael De Luca e Pam Abdy, que estavam na MGM. O DCU está dentro do pacote a ser comandado por Luca e Abdy, todavia, já foi anunciado também que David Zaslav procura por alguém específico para comandar os filmes da DC.

O THR afirma, ainda, que Zaslav convidou o diretor de Coringa, Todd Phillips, para comandar novos projetos do DCU, não somente como diretor, mas também, como um tipo de assessor. Afinal, não custa lembrar, mesmo com censura 18 anos, o longa do vilão arrecadou mais de US$ 1 bilhão e valeu indicações ao Oscar e o prêmio de Melhor Ator para Joaquim Phoenix, batendo os recordes de personagem que valeu um Oscar para dois atores (pois Heath Ledger levou uma estatueta pelo seu Coringa em 2008), e ser a maior bilheteria de um filme 18 anos da história.

Também foi emitido um convite para Alan Horn, que já foi executivo da Disney; e já que a Casa do Rato está indo de vento em popa com as franquias Marvel e Star Wars, Zaslav não teve nenhum prurido em conversar também com Bob Iger, o ex-CEO da Disney, em busca de orientação sobre como trabalhar o DCU em todo o seu potencial.

Uma coisa simples ao qual a Warner em gestões passadas nunca aderiu foi o da centralidade criativa, ou seja, concentrar uma série de perspectivas mandatórias por parte do estúdio, ao mesmo tempo em que se confere alguma liberdade (ainda que vigiada) sobre os cineastas que trabalham com suas franquias. É por esse modelo que funciona o Marvel Studios, na qual a última palavra é sempre de Kevin Feige, o que permitiu a criação de um universo cinematográfico coeso como nenhum outro que existiu até hoje.

A LucasFilm de Star Wars, por sua vez, quando abriu mão do controle e deu mais liberdade aos cineastas na Nova Trilogia (ou Trilogia Sequência), lançada nos cinemas entre 2015 e 2019, o resultado foram filmes desiguais e recepção fria do público. O impacto foi tão grande que o estúdio mudou a estratégia, cancelou todos os filmes futuros previstos e investiu toda a sua energia na TV via streaming, com a linha que trouxe The Mandalorian, O Livro de Boba Fett e Obi-Wan Kenobi.

Já a DC Comics (sob a batuta da Warner) preferiu não ter uma centralidade criativa, dar liberdade aos cineastas e, ainda assim, tentar criar um universo cinematográfico integrado e o resultado saiu cheio de falhas e polêmicas, e principalmente, resultados frustrantes nas bilheterias. Apenas azarões como Aquaman (construído sobre o carisma de Jason Mamoa) e Coringa conseguiram ultrapassar a barreira do 1 bilhão de dólares, enquanto grandes medalhões do estúdio, como Superman, Batman e Mulher-Maravilha não chegaram nem perto disso e, quando o time foi reunido sob a Liga da Justiça, o resultado foi pior, com uma bilheteria de apenas 600 milhões, quase a mais baixa entre todos os filmes do DCU.

Não é preciso ser um gênio para notar que há algo de errado.

Nos últimos anos, o DCU amarga uma ressaca terrível do filme da equipe e nenhum projeto – à exceção daqueles dois citados – conseguiu empolgar verdadeiramente o público, mesmo com uma safra relativamente numerosa e diversa estilisticamente, como Shazam!, Aves de Rapina, Mulher-Maravilha 1984, O Esquadrão Suicida, alguns dos quais com algumas boas ideias. The Batman correndo por fora ganhou a simpatia do público, mas está fora do DCU.

Adão Negro, Aquaman 2 e The Flash são os grandes projetos futuros, todos já filmados, e mostrarão no que resultou o período de transição da Warner pós-Liga da Justiça e fase Warner Media. Agradarão ao público?

O que vier daqui para frente sob a batuta da Discovery e Zaslav talvez seja diferente, mas as declarações do CEO de que quer valorizar personagens icônicos como Superman, que não foram bem aproveitados até agora no DCU, dão alguma esperança, e não param de surgir rumores sobre Henry Cavill voltando à capa vermelha para liderar uma nova fase de filmes sob nova ótica.

Quem sabe?