A Variety noticiou que a Warner Bros. Discovery vem realizando audiências teste de The Flash, filme solo do velocista escarlate da DC Comics, e que elas vêm sendo extremamente bem sucedidas. Embora alguns sites de notícias mantiveram o “pé atrás” pelo fato de que apenas a Variety teve acesso a tais informações, por outro lado, é bom recordar que a revista de entretenimento não é de publicar rumores, como a maioria dos outros canais de mídia, sempre preferindo publicar notícias as quais possa confirmar fontes oficiais ou indiscutivelmente seguras. É realmente um diferencial que poucos veículos têm até agora.

O debate é acirrado porque outros veículos têm noticiado as audiências teste de The Flash nos meses passados, contudo, relatando uma recepção dividida do público e não a recepção calorosa da qual a Variety menciona. É algo a pensar.

A Variety diz que público reagiu muito bem a The Flash e isso motivou o estúdio a “dar total tratamento de blockbuster ao filme”, nas palavras da revista.

A notícia vem em um momento delicado, no qual a estrela do filme, Ezra Miller, vem sendo alvo de polêmicas inquietantes, como ter sido preso duas vezes no Havaí este ano, acusado de causar confusão em um bar, resistir à prisão, dar uma cadeirada em uma mulher em uma festa privada e até ameaçar de morte e roubar pertences de uma família que o teria abrigado por alguns dias. Não é pouca coisa, ainda mais com o precedente de uma suposta agressão a uma mulher na saída de um bar na Islândia em 2020 que foi filmada.

As prisões levaram aos especuladores afirmarem que a Warner Discovery estava pensando seriamente em tirar Miller do papel de Flash, mas a Variety afirma que isso não ocorrerá de imediato, pois trocar o ator implicaria na total refilmagem de The Flash, pois o personagem Berry Allen aparece em praticamente todas as cenas do filme.

Mas isso não quer dizer que a substituição não irá acontecer. Ainda que a Warner não tenha dado nenhuma declaração oficial sobre as prisões do ator – um silêncio que tem incomodado bastante alguns setores da imprensa e da indústria – a Variety diz que o estúdio considera seriamente tratar The Flash como um filme único, sem sequências, e em seguida, substituir Miller por outro ator para projetos futuros do velocista escarlate nos cinemas.

Também estariam paralisadas (canceladas seria o termo mais correto) qualquer aparição do Flash-Miller nos projetos futuros do DCU.

Ou seja, parece se desenhar um cenário no qual The Flash seria bem recebido pelo público, mas ao custo de encerrar a temporada de Ezra Miller sob o uniforme vermelho do personagem. O que virá depois disso – uma mera substituição de ator (um recurso recorrente em Hollywood que se tornou subitamente pouco praticado em decorrência dos mal afamados reboots) ou o reinício de tudo, é desconhecido.

Todo esse tema vem no contexto das mudanças recentes da Warner Discovery (veja aqui) que mostram o estúdio disposto a dar um novo direcionamento criativo no DCU e “consertar” uma série de problemas.

The Flash adaptará o arco de histórias dos quadrinhos Flashpoint (Ponto de Ignição, no Brasil), escrita por Geoff Johns (que já foi presidente da DC Films, por sinal) e desenhada por Adam Kubert, publicada entre 2010 e 2011, no qual Berry Allen viaja ao passado para impedir que seu arquiinimigo, o Flash-Reverso, assassine sua mãe, e ao fazer isso, termina alterando a linha temporal para uma realidade terrível, na qual Bruce Wayne nunca virou o Batman, a Liga da Justiça nunca existiu e uma guerra entre as Amazonas e os Atlantes (via Mulher-Maravilha e Aquaman) aventa o fim do mundo. Nas HQs, ao tentar consertar a linha temporal, o Flash não conseguiu restaurar exatamente a realidade de antes, mas gerar uma outra, menos danosa, que foi a fase Os Novos 52, um grande reboot dos heróis da DC Comics.

Não é certo o quanto daquela trama original estará no filme, mas é sabido que haverá alguma alteração na linha temporal e Barry Allen viajará pelo tempo em busca de ajuda, o que o colocará em realidades distintas, que resultarão na participação de duas versões do Batman: a do ator Ben Affleck (da mesma linha do protagonista) e a de Michael Keaton (que viveu o personagem nos filmes de 1989 e 1992); além da aparição da Supergirl vivida por Sasha Calle (e não do Superman) e de pelo menos uma outra versão do Flash, também vivida por Ezra Miller (mas de cabelos longos).

Sempre é noticiado que, depois de The Flash, o Batman do DCU deixará de ser Ben Affleck e passará a ser Michael Keaton, o que explicaria porque é o homem-morcego de Keaton quem aparece no filme da Batgirl, que já foi filmado. Por outro lado, há rumores recentes que contradizem isso, ainda que sejam apenas rumores mesmo.

Todavia, o filme foi planejado e realizado dentro da gestão anterior da Warner e algumas mudanças podem ocorrer no futuro sob a batuta da Discovery.

Outra coisa curiosa sobre The Flash é que foi recentemente revelado (pelo sindicato dos roteiristas) que nada menos do que 45 roteiristas trabalharam no filme. A conta absurda contabiliza todos aqueles que de algum modo contribuíram para as dezenas de versões do roteiro do projeto que já circula nos corredores da Warner desde 2016 e passou nas mãos de 4 ou 5 diretores diferentes antes de se estabilizar com Andy Muschetti, que o filmou. Os créditos oficiais do filme (até agora) listam o roteiro de Christina Hodson a partir de história de Joby Harold.

The Flash estrearia este ano ainda, mas foi adiado ao ano que vem numa estratégia (de motivos desconhecidos) da nova gestão da Warner. A data de estreia atual é 23 de junho de 2023.