Tendo recém-completado 80 anos de idade, o ex-membro dos Beatles, Paul McCartney, coroou sua carreira sendo a atração principal do Festival de Gastonbury, o mais importante da Inglaterra, neste fim de semana. O músico britânico subiu ao palco e tocou canções do seu vasto repertório (solo e da antiga banda), contando com a participação especial de dois colegas norteamericanos, o líder dos Foo Fighters, Dave Grohl, e o cantor e compositor Bruce Springsteen.

Ser o headline de Glastonbury é uma ocupação para poucos e significa estar em um tipo de ponto máximo da carreira, e o caso de McCartney é especial, pois é uma celebração dupla, já que também comemora os 50 anos do festival, criado em 1970. Claro, é uma comemoração atrasada em dois anos, por causa da pandemia: o ex-Beatle já estava anunciado para a edição de 2020, quando eclodiu a pandemia de Covid-19 e o festival não ocorreu nem naquele ano nem em 2021.

McCartney gastou a maior parte de seu set list com canções dos Beatles, começando com Can’t buy me love, de 1964, e seguindo por sua trajetória solo até as faixas mais recentes, do álbum Egypt Station, de 2019 e de McCartney III, de 2020. Dentre os destaques, ainda no campo dos Beatles, McCartney homenageou o ex-colega George Harrison (morto em 2001), cantando a canção deste, Something (que está no álbum Abbey Road, de 1969), algo que faz com bastante frequência desde 2002.

McCartney faz um dueto virtual com o falecido Lennon em Glastonbury.

E manteve a novidade tecnológica que inaugurou na turnê dos EUA de meses atrás, quando realizou um “dueto” com o parceiro de composições John Lennon (morto em 1980) na canção I’ve got a feeling (do álbum Let it Be, de 1970). Neste caso, McCartney se beneficiou de uma trilha de som e imagem do seu parceiro tocando (junto com os Beatles) a faixa no Concerto do Telhado (The Rooftop Concert), de janeiro de 1969. A imagem foi recentemente restaurada pelo cineasta Peter Jackson (de O Senhor dos Anéis), que a usou no documentário The Beatles: Get Back, que narra os eventos daquele projeto em uma série de três episódios e quase 8 horas de duração, disponível no Disney+; enquanto o som foi remasterizado com a mais alta tecnologia pelo produtor Giles Martin, filho de George Martin, que trabalhou com a banda nos anos 1960.

Com a voz de Lennon isolada do restante do instrumental e a sua imagem projetada em um telão ao fundo do palco, McCartney toca a canção com ele, fazendo um dueto.

E para tornar tudo ainda mais especial, o ex-beatle contou com duas participações ilustres. Primeiro, subiu ao palco o vocalista e guitarrista Dave Grohl, do Foo Fighters, que fez seu primeiro show desde a morte do baterista de sua banda (e melhor amigo), Taylor Hawkins, em março passado. McCartney e Grohl – que já realizaram alguns projetos juntos – tocaram I saw her standing there, dos Beatles (faixa de 1963) e Band on the run, canção de 1973, da banda Wings, que McCartney montou depois dos Beatles e com a qual gravou ao longo dos anos 1970.

Ao sair aclamado, McCartney elogiou o colega da “costa oeste dos EUA” e anunciou um amigo da “costa leste”, subindo ao palco Bruce Springsteen, com quem McCartney já havia dividido o microfone em um dos shows da turnê nos EUA. A dupla apresentou Glory days (que é uma canção de Springsteen) e I wanna be your man, canção dos Beatles de 1963, que a dupla Lennon & McCartney deu de presente para os Rolling Stones e que o grupo de Jagger & Richards gravou e fez dela seu primeiro sucesso, tendo inclusive, a tocado recentemente em um concerto.

No fim do show, Grohl e Springsteen voltaram ao palco para o bis e o trio se apossou de guitarras para fazer o solo de The End, que encerrou a apresentação. A gravação original, do álbum Abbey Road (1969) traz um solo de três guitarras, tocadas por McCartney, Harrison e Lennon.

Com 80 anos, McCartney mostra que seu repertório o garante um local de destaque no panteão da música mundial e é bom ver que tem um reconhecimento como liderar Glastonbury.