Homem de Ferro: muitas histórias clássicas.
Homem de Ferro: muitas histórias clássicas.

Mais famoso hoje nos cinemas do que nos quadrinhos, o Homem de Ferro, herói tecnológico da Marvel Comics levado às telas pelo Marvel Studios, e um dos fundadores dos Vingadores, pode ser uma grande surpresa para aqueles que não o conhecem profundamente, quando se debruçam sobre as aventuras de papel de Tony Stark.

Carregada de tecnologia e com conceitos bem mais amplos e ousados do que aqueles usados nos cinemas, as aventuras do vingador dourado trazem algumas jóias escondidas do Universo Marvel. Isso porque o personagem nunca foi badalado como o Homem-Aranha, nem popular como Wolverine. Ainda assim, tem aventuras excepcionais que, por vezes, não são conhecidas nem por aqueles que leem quadrinhos.

Embora as aventuras originais do personagem nos anos 1960 tenham envelhecido mal – devido à sobrecarga de Guerra Fria nas temáticas – e a fase clássica do início dos anos 1970 tenha terminado por não deixar tantas marcas assim à cronologia padrão do herói; a partir do fim dos anos 1970 o Homem de Ferro se encontrou enquanto personagem e, desde então, é marcado por histórias muito boas. Não raras vezes, a revista Invincible Iron-Man trouxe histórias de qualidade superior às suas pares na Marvel Comics.

Vamos conhecer algumas delas numa lista que não se pretende definitiva, mas pode dar um caminho a seguir para aqueles que motivados pelos filmes querem dar uma lida no Tony Stark original das HQs, ou então, aqueles que leem quadrinhos, mas não deram a devida atenção ao vingador dourado; ou mesmo para os veteranos e fãs que querem relembrar e reler esses clássicos.

É isso aí, escolha sua armadura e vamos lá!

O HQRock orgulhosamente apresenta: As Melhores Histórias em Quadrinhos do Homem de Ferro!

01 – DEMÔNIO NA GARRAFA

O maior inimigo de Stark: o álcool.
O maior inimigo de Stark: o álcool.

Originalmente publicada em Iron-Man 120 a 128, de 1979, por David Michelinie, Bob Layton (textos) e John Romita Jr. (desenhos).

A história definitiva do Homem de Ferro. Aquela que colocou Tony Stark no mapa dos heróis realmente relevantesDemônio na Garrafa não é apenas um clássico do vingador dourado; é um clássico dos quadrinhos em todos os tempos. Lembrem: estávamos na Era de Bronze (que começa na virada para os anos 1970) e os heróis já haviam amadurecido um bocado – o Homem-Aranha perdera sua namorada; o Capitão América, também (mas ela voltou, eu sei…); o Batman se tornara mais sombrio; e até o Ricardito (Speed) tinha se tornado um usuário de drogas pesadas… Mas colocar um herói de maior relevância – o Speed não conta… – como um alcoólatra nos quadrinhos mainstream era algo muito ousado. Mesmo.

E foi isso o que o supertrio Michelinie, Layton e Romita Jr. fez nesse arco comemorativo dos 120 números da revista própria do latinha. O Homem de Ferro que, após um período clássico no início da década de 1970, tinha passado por uma má fase e estava com a popularidade abalada, agora se recuperava com fôlego e relevância.

A versão nacional atual.
A versão nacional atual.

Na trama, o empresário corrupto Justin Hammer manipula uma série de eventos para fazer pressão em cima de Tony Stark, seu grande rival. Sem saber que o playboy também era o Homem de Ferro (oficialmente, o segurança de Stark), Hammer conseguiu até interferir no funcionamento da armadura e fez o vingador dourado matar acidentalmente um diplomata. Sem resistir à pressão, Stark cede cada vez mais ao seu melhor companheiro: o álcool. Logo, seus melhores amigos, como James Rhodes e namorada Bethany Cabe, começam a perceber que ele está bebendo demais, o que só traz mais problemas.

Se alguém beber e dirigir já é algo problemático, imagine beber e vestir uma armadura poderosíssima!

No final, Stark precisa escolher entre permanecer nesse caminho ou ficar sóbrio e enfrentar seus demônios.

Um clássico absoluto que mudou para sempre as histórias do Homem de Ferro e trouxe mais um pouco de seriedade e realismo ao Universo Marvel da Era de Bronze.

Está facilmente disponível no Brasil, em um encadernado da editora Panini Comics.

Ninguém tem dúvidas de que essa história renderia um ótimo filme, mas o Marvel Studios ainda está devendo essa.

02 – MONGE DE FERRO

Monge de Ferro: drama de recuperação.
Monge de Ferro: drama de recuperação.

Originalmente publicada em Iron-Man 197 a 200, de 1985, por Dennis O’Neil (texto), Rick Buckler, Herb Trimpe e Mark D. Bright (desenhos).

Na verdade, esta história é apenas a conclusão de um arco de histórias muito maior, que se iniciou em Iron-Man 163, marcando a prolífica fase de Dennis O’Neil à frente do Homem de Ferro. São histórias muito boas, atrapalhadas apenas pela inconstância de desenhistas.

Embora Dennis O’Neil seja mais conhecido por suas histórias na DC Comics – como Batman e Lanterna Verde – o escritor teve uma marcante passagem pela Marvel, onde escreveu o Homem-Aranha, Demolidor e o Homem de Ferro. E o latinha foi justamente o seu melhor trabalho no período. Sua temporada de três anos explora as consequências de Demônio na Garrafa, mostrando outra queda de Stark ao alcoolismo. E desta vez muito pior: ele perde sua fortuna, sua empresa e seu autorespeito. Chega ao ponto de James Rhodes substituí-lo oficialmente como o Homem de Ferro – chegando a ingressar nos Vingadores.

Stane veste a armadura.
Stane veste a armadura.

Mas havia alguém por trás de tudo, piorando as coisas: Obadiah Stane, um empresário poderoso e sem escrúpulos. Stane adquiriu a empresa de Stark e roubou sua fortuna, deduziu sua identidade secreta e manipulou todos à volta do herói-empresário para destruí-lo. E quase foi bem sucedido.

Quando Stark já estava mais recuperado e descobriu que era Stane quem estava por trás das investidas, ainda assim, não tinha provas contra o inimigo. Recomeçando do zero, com uma nova pequeno empresa, Stark precisou vestir novamente sua armadura para deter de uma vez por todas esse inimigo.

O ato final do arco de Dennis O’Neil mostra uma série de pessoas próximas ou com ligação com Stark sendo atacadas ou sequestradas, inclusive a ex-namorada Bethany Cabe e a também ex-namorada (e agora mortífera vilã) Madame Máscara. O herói percebe que é Stane quem está por trás de tudo, mas Rhodes não consegue detê-lo usando a armadura do Homem de Ferro, o que obriga Stark a inaugurar uma nova armadura, a Centurião Prateado, especialmente para derrotar Stane.

Mas o empresário-vilão ainda tinha uma última carta na manga: uma poderosa armadura chamada Monge de Ferro.

Essa história adulta e de final trágico (e violento) é outro dos grandes clássicos do Homem de Ferro que contribuem para as histórias em quadrinhos em geral. Menos conhecido do que Demônio na Garrafa, Monge de Ferro serve como sequência e complemento, mas existe por si só. Também foi um marco editorial, pois trouxe a primeira modificação na armadura do Homem de Ferro depois de quase 20 anos! Pena que depois disso, mudar a armadura a cada temporada começou a se tornar a moda…

A trama de Monge de Ferro foi parcialmente utilizada no primeiro filme do herói, Homem de Ferro, de 2008, embora com algumas concessões, como Stane não ser um rival, mas um executivo da própria Stark Interprises.

03 – GUERRA DAS ARMADURAS

Guerra das Armaduras: definindo quem é Tony Stark.
Guerra das Armaduras: definindo quem é Tony Stark.

Originalmente publicada em Iron-Man 225 a 232, de 1987, por David Michelinie, Bob Layton (textos), Mark D. Bright, Jackson Guice e Barry Windsor-Smith (desenhos).

Outra das mais famosas e melhores aventuras do Homem de Ferro, Guerra das Armaduras também foi um grande feito cronológico, que marca a mudança de atitude de Tony Stark nos quadrinhos. É nesta trama – novamente escrita pela dupla de ouro, David Michelinie e Bob Layton, e agora com desenhos de Mark D. Bright na maior parte do tempo – que vemos nascer o Tony Stark rebelde, que não se submete a ninguém e vai às últimas consequências para realizar aquilo que acredita, mesmo quando isso não parece lá muito certo, ético ou bonito; tal qual nos acostumamos a ver nos cinemas, por exemplo.

Na trama, ao analisar a armadura de um oponente que derrotou nas histórias anteriores, Stark percebe que a tecnologia usada é aquela que ele criou para o Homem de Ferro e pensava ser segredo industrial absoluto. Em seguida, termina descobrindo que Justin Hammer tinha encomendado o roubo de sua tecnologia ao vilão Espião Mestre, que tinha morrido algumas edições antes, mas já havia cumprido sua missão. O herói, então, se dá conta que vilões como Besouro, Controlador, os Caçadores, Homem de Titânio etc. poderiam estar usando sua tecnologia para cometer crimes.

A armadura Neoclássica ilustra a versão nacional.
A armadura Neoclássica ilustra a versão nacional.

Por isso, cria um dispositivo capaz de zerar e deixa inoperável sua própria tecnologia para deter qualquer um que possa estar usando-a. Porém, após derrotar alguns desses vilões citados, o herói percebe que não é somente os vilões quem estão usando sua tecnologia, mas também forças do bem, como os Guardiões da Gruta (uma prisão para supercriminosos) e os Mandroides da SHIELD. Guiado pela lógica de que esses dispositivos podem ser mal utilizados, Stark vai de contra eles também, o que lhe coloca na rota de colisão com ex-aliados, como Nick Fury e o Capitão América.

A cisão entre Stark e Steve Rogers teria grandes consequências futuras – e a Guerra Civil foi uma delas – o que causou um grande custo emocional a Stark.

Mas tudo pode piorar, não é mesmo? Com a ação errática do Homem de Ferro, o vingador (agora) prateado é declarado inimigo n.º 1 dos EUA e o Governo ativa o projeto Firepower (Poder de Fogo), comandado pelo rival Edwin Cord, com o firme propósito de deter o Homem de Ferro. Stark é obrigado a “demitir” o herói (que todos pensavam ser seu guarda-costas), mas tem que enfrentar o Poder de Fogo que, literalmente, destrói sua armadura e quase o mata.

Com o Homem de Ferro dado como morto, cabe a Stark criar uma nova armadura, mais tecnológica, para deter o Poder de Fogo, surgindo, assim, a armadura Neoclássica.

Os capítulos finais da saga já foram desenhados por Jackson Guice, mas foi Bob Layton (que também é desenhista) que fez o design da nova armadura, uma das mais bonitas já usadas pelo herói. Por fim, Guerra das Armaduras ganhou um epílogo desenhado por Barry Windsor-Smith, que traz sua arte deslumbrante e detalhista para retratar um pesadelo de Stark, em um efeito fantástico, apenas para mostrar a alta qualidade dos períodos finais da Era de Bronze na Marvel dos anos 1980.

Parte da trama de Guerra das Armaduras foi usada em Homem de Ferro 2, de 2010, mas de um modo muito subliminar. Que pena, pois a trama pura daria um ótimo filme. Houve ainda uma Guerra das Armaduras II, alguns anos depois, nas mãos de John Byrne (texto) e John Romita Jr. (arte), que também é uma boa história e vale à pena.

04 – DOOMQUEST

A clássica batalha contra o Dr. Destino nos tempos do Rei Arthur. Arte de John Romita Jr.
A clássica batalha contra o Dr. Destino nos tempos do Rei Arthur. Arte de John Romita Jr.

Originalmente publicada em Invincible Iron-Man 149 e 150, de 1982, por David Michelinie, Bob Layton (textos) e John Romita Jr. (desenho).

Uma história meio despretensiosa, criada para comemorar o 150º número da revista Iron-Man, terminou virando um clássico instantâneo. Em apenas duas partes, Doomquest mostra uma abordagem tipicamente de super-herói para o Homem de Ferro, algo que era raro no contexto em que o personagem vivia naqueles tempos de início dos anos 1980.

Na trama, um combate com o vilão Dr. Destino – outro gênio da tecnologia e um inimigo que poderia ter mais envolvimento com o Homem de Ferro do que tinha na época – termina lançando a dupla acidentalmente no passado. Ambos vão parar em Camelot, nos tempos do Rei Arthur. Assim, Tony Stark tem que lidar com uma aliança de Destino com a bruxa Morgana Le Fey e unir as forças com Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda para deter o vilão e voltar ao presente.

Uma aventura leve e divertida, com elas precisam ser de vez em quando. O sucesso de Doomquest levou a produção de duas sequências nos anos seguintes, a primeira delas, também de boa qualidade, hoje disponível no encadernado da aventura, que ainda não foi lançado no Brasil.

05 – A SEMENTE DO DRAGÃO

A Semente do Dragão: melhor história com o Mandarim.
A Semente do Dragão: melhor história com o Mandarim.

Originalmente publicada em Invincible Iron-Man 271 a 275, de 1991, por John Byrne (texto) e Paul Ryan (desenho).

Apesar do Mandarim ser o maior dos vilões do Homem de Ferro, por tradição, lhe falta grandes histórias memoráveis. Esta é a exceção. A Semente do Dragão é um daqueles clássicos perdidos ali nos momentos finais da Era de Bronze e no limiar da nova Era Sombria que viria logo, logo.

Sendo a sequência direta de Guerra das Armaduras II, A Semente do Dragão traz John Byrne e Paul Ryan mostrando lentamente o desenvolvimento de uma trama na qual o Mandarim vai descobrindo uma maneira mais eficiente e poderosa de usar os seus anéis mágicos. Quem lhe ajuda nisso é um ancião chinês que vai deixando claro que tem um grande segredo. Com o avançar da trama, descobrimos que o velho é, na verdade, um dragão de verdade: Fin Fang Foom, um velho personagem da Marvel pré-moderna resgatado de maneira genial por Byrne em um contexto totalmente novo.

Byrne se aproveitou do fato da origem do Mandarim envolver alienígenas em forma de dragão cujos anéis são legados pelo vilão chinês para relacioná-los e trazer as consequências disso em uma trama mais adulta e cheia de ação e suspense.

O Homem de Ferro precisa, então, não apenas confrontar o Mandarim, mas o próprio Fin Fang Foom. E como derrotar um dragão gigante?

Para piorar, Stark estava em um péssimo momento, com a saúde extremamente abalada por causa de um tiro que levara de uma ex-namorada neurótica, o que colocou em uma cadeira de rodas no primeiro momento e, depois, levou à implantação de um chip experimental que lhe permitia voltar a andar. Desse modo, o amigo James Rhodes novamente veste a armadura do Homem de Ferro para ajudá-lo, mas as dimensões da situação obrigam Stark e sujar as próprias mãos.

Outro grande clássico.

06 – EXTREMIS

Uma das capas do arco Extremis: mudança radical para o Homem de Ferro.
Uma das capas do arco Extremis: mudança radical para o Homem de Ferro.

Originalmente publicada em Invincible Iron-Man (vol 04) 01-05, de 2005, por Warren Ellis (texto) e Adi Granov (desenho).

Se a Guerra de Armaduras deu um passo gigantesco em direção ao Tony Stark moderno dos dias de hoje, o ciclo foi concluído com Extremis. Essa história veio somar-se a outras da época – como a participação do personagem nas aventuras dos Novos Vingadores, por Brian Michael Bendis e David Finch – para não apenas dar o destaque merecido ao Homem de Ferro, mas a literalmente, colocar Tony Stark no centro do Universo Marvel.

Em Extremis, um vírus tecnorgânico experimental – que visava aperfeiçoar o soro do supersoldado do Capitão América – é roubado por um grupo criminoso e injetado em um bandido comum. Esse homem logo se transforma em uma poderosa máquina de matar que cruza o país causando destruição. Ao tentar detê-lo, o Homem de Ferro é sumariamente derrotado.

Assim, desesperado, Stark recorre à velha amiga Maya Hansen para um ato radical: injetar em si mesmo o vírus extremis. Como resultado, Stark e a armadura se tornam uma coisa só. Pela primeira vez em sua história, Tony Stark se tornava realmente um superhumano e não somente alguém usando uma armadura.

07 – A MELHOR DEFESA

Início do arco "Melhor Defesa" em "Iron-Man 73", de 2003.
Início do arco “Melhor Defesa” em “Iron-Man 73”, de 2003.

Originalmente publicada em Invincible Iron-Man (vol 03) 73 a 78, de 2003, por John Jackson Miller (texto) e Jorge Lucas (desenho).

Os anos 2000 trouxeram diversas boas histórias do Homem de Ferro, talvez porque, pela primeira vez mesmo, as histórias começaram a se beneficiar da alta tecnologia que invadiu a vida cotidiana, com computadores pessoais e portáteis; celulares; tablets; internet etc. Assim, apesar de não raras vezes reciclarem ideias do passado, essas novas histórias puderam lidar com velhos conceitos de maneira mais moderna e ousada. É o caso de A Melhor Defesa, arco de histórias que recicla parte da ambientação de A Guerra das Armaduras.

Em A Melhor Defesa, Tony Stark se depara com os planos de um senador dos EUA que quer usar a tecnologia do Homem de Ferro para fins militares. Um plot reaproveitado no início do filme Homem de Ferro 2, de 2010. Stark tinha acabado de revelar que era o Homem de Ferro nos quadrinhos e lidava com as consequências de seus atos.

Tendo em vista que contratos antigos das empresas de Stark deixavam brechas para esse tipo de uso, só cabe ao empresário-herói descobrir um modo de monitorar o uso de sua tecnologia. E logo ele recebe um convite com a solução: tornar-se o Secretário de Defesa do Governo dos EUA!

A maior qualidade de A Melhor Defesa é justamente por ser um arco em que a ação é posta totalmente em segundo plano, dando lugar a uma trama adulta de bastidores políticos, manipulação e traição. Apenas no finalzinho, vemos realmente o Homem de Ferro atuando como super-herói. Na maior parte do tempo, é apenas Tony Stark e a política. E isso é ótimo, pois a história é muito bem escrita.

Em termos cronológicos, foi um passo importante para Stark, que mais tarde seria também o Diretor da SHIELD.

Menos badalado do que Demônio na Garrafa ou Extremis, A Melhor Defesa é uma grata surpresa ao leitor contemporâneo.

08 – O MAIS PROCURADO DO MUNDO

O mais procurado: exemplar da excelente fase de Fraction e Larroca.
O mais procurado: exemplar da excelente fase de Fraction e Larroca.

Originalmente publicada em Invincible Iron-Man (vol 5) 08 a 11, de 2009, por Matt Fraction (texto) e Salvador Larroca (desenho).

Após a Invasão Secreta – na qual os Vingadores descobrem que os alienígenas transmorfos Skrulls estão infiltrados na comunidade super-humana para destruí-los e invadir a Terra – o vilão Norman Osborn (arquiinimigo do Homem-Aranha, também conhecido como Duende Verde) é tomado como herói nacional ao matar a Rainha Skrull. Para piorar, Tony Stark leva a culpa de tudo, porque foram os Illuminati (um grupo secreto de superseres comandados pelo Homem de Ferro) quem provocaram os aliens anos atrás, motivando o revide que agora impetravam. Além disso, àquela altura, Stark era o Diretor da SHIELD (substituindo Nick Fury e depois Maria Hill), que foi acusada de negligente por não ter descoberto a infiltração dos Skrulls antes.

Como resultado, Norman Osborn se tornou o Assessor Especial para Assuntos Super-Humanos e o novo diretor da SHIELD. Sua primeira medida, claro, foi tornar Tony Stark um criminoso. O mais procurado dos EUA.

Em torno disso, a excelente fase de Matt Fraction e Salvador Larroca constrói uma narrativa muito interessante, colocando o Homem de Ferro em uma posição não usual.

09 – O INÍCIO DO FIM

O Início do Fim: clássica aventura de um período clássico.
O Início do Fim: clássica aventura de um período clássico.

Originalmente publicada em Invincible Iron-Man 17 a 23, de 1970, por Archie Goodwin (texto) e George Tuska (desenho).

As histórias clássicas do Homem de Ferro não envelheceram bem. As tramas dos anos 1960 ficaram muito presas à Guerra Fria e ao medo dos comunistas soviéticos. Lidas hoje, soam ingênuas e, às vezes, até irritantes. Mas este caso é uma exceção. Este arco de histórias coloca o Homem de Ferro contra o vilão Midas – um típico exemplo do oponentes afetados da época – mas isto nem é o mais importante. Também é quando há a introdução da vilã Madame Máscara, outra peça importante do cânone do herói. Mas isso também não é o principal.

O maior apelo de O Início do Fim é o conflito interno de Stark. Para proteger sua identidade, o empresário usa um Modelo de Vida Artificial para substituí-lo e colocar Stark e Homem de Ferro lado a lado. Os MVAs era um recurso extremamente usado nas aventuras do herói (e nas de Nick Fury): robôs extremamente avançados que imitam seres humanos. Mas neste caso, é um bom uso do elemento: o MVA começa a pensar que é Stark e que é melhor do que ele.

Afinal, o que faz um herói?

O arco também serve como bom exemplo da clássica fase do personagem por Archie Goodwin e George Tuska.

10 – A MORTE DE HAPPY HOGAN (GUERRA CIVIL)

A morte de Happy Hogan: drama pessoal em meio à Guerra Civil.
A morte de Happy Hogan: drama pessoal em meio à Guerra Civil.

Originalmente publicada em Iron-Man (vol 04) 13 e 14, de 2006-2007, por Daniel Knauf e Charles Knaufs (texto) e Patrick Zircher (desenho).

Como é de costume com as grandes sagas, Guerra Civil se estendeu às revistas mensais dos personagens. E tendo o Homem de Ferro um papel central naquela, sua revista teria que estar ligada à saga. Mas neste caso, de um modo até pequeno, por apenas duas edições. A dupla de Knaufs produziu uma boa fase do personagem e aproveitou a ambientação da Guerra Civil para um conto um pouco mais pessoal, envolvendo um novo Espião Mestre e a morte de Happy Hogan, um dos mais antigos amigos de Tony Stark. Uma história dolorosa.

Bônus:

SURGE O HOMEM DE FERRO

Capa de Tales of Suspense com a primeira aventura do Homem de Ferro.
Capa de Tales of Suspense com a primeira aventura do Homem de Ferro.

Originalmente publicada em Tales of Suspense 39, de 1963, por Stan Lee, Larry Lieber (texto), Don Heck (desenho), Jack Kirby (capa e design).

A primeira história do Homem de Ferro merece uma menção histórica. Não é um clássico imortal dos quadrinhos, mas uma história interessante e diferente dentro do cânone dos super-heróis. Na verdade, este conto não é uma história de um super-herói, mas um drama de um vendedor de armas que é capturado no Vietnã e termina sendo obrigado a vestir uma armadura para não morrer por meio de um estilhaço que se alojou em seu coração. Genial, Tony Stark consegue escapar, apenas para se deparar sozinho em meio à floresta, preso dentro de uma armadura horrenda, sem ter como voltar para casa.

É uma história bem dramática. Na aventura seguinte, o herói já aparece de volta em casa, começando uma carreira de super-herói, o que desvia da rota dessa primeira história, mas ainda assim, é uma boa origem. A história foi fielmente adaptada no primeiro ato do filme Homem de Ferro, de 2008, apenas modernizando a ambientação.

Com os Vingadores:

GUERRA CIVIL

Guerra Civil: radical mudança na Marvel.
Guerra Civil: radical mudança na Marvel.

Originalmente publicada em Civil War 01 a 07, de 2006-2007, por Mark Millar (texto) e Steve McNiven (desenho).

O Homem de Ferro está em muitas das histórias clássicas dos Vingadores – veja uma lista delas aqui no HQRock – mas é Guerra Civil que representa a história da equipe fundamental para o personagem de Tony Stark. Guerra Civil foi uma das mais ousadas e bem-sucedidas histórias da Marvel Comics nos últimos anos, algo que mudou de verdade o panorama do universo ficcional da editora pelo anos seguintes.

Na trama, uma equipe de jovens heróis, os Novos Guerreiros, termina sem querer causando uma tragédia na qual morrem 600 pessoas, a maioria crianças. Em consequência, o Congresso dos EUA vota a Lei de Registro de Superseres, nas quais os metahumanos precisam se registrar no Governo, revelar suas identidades e serem treinados sob o risco de serem presos. Como Secretário da Defesa dos EUA, Tony Stark apoia a medida, o que causa grande impacto na comunidade super-heróica da Marvel.

Guerra Civil: ex-aliados como inimigos. Homem de Ferro vs Capitão América por Millar e McNiven.
Guerra Civil: ex-aliados como inimigos. Homem de Ferro vs Capitão América por Millar e McNiven.

Porém, nem todos aceitam isso. O Capitão América acha que a nova lei fere os direitos humanos e revolta-se contra o Governo, tornando-se um fora da lei. E os Novos Vingadores o apoiam em sua maioria. Isso cria um clima de guerra entre aqueles que já foram os melhores amigos: Tony Stark e Steve Rogers; Homem de Ferro e Capitão América.

Cada lado luta para defender suas ideias, mas logo, o grupo do Capitão América se torna perseguido pelas autoridades, numa caçada liderada pelo próprio Homem de Ferro.

A Guerra Civil teve seríssimas consequências, mostradas em aventuras subsequentes  como Tony Stark se tornando o novo Diretor da SHIELD (substituindo Maria Hill, que tinha sucedido Nick Fury meses antes); enquanto o Capitão América é assassinado nas escadarias do Tribunal, quando ia à julgamento; além disso, os Novos Vingadores viraram foras da lei; enquanto Stark criava um novo grupo de Vingadores que apoiava o novo cenário; além de criar a Iniciativa dos 50 Estados, que treina superseres para proteger o país inteiro.

Isso tudo depois, mas os sete capítulos de Guerra Civil focam na tensão entre os dois protagonistas e a sangrenta luta que travam entre si, fazendo uma batalha não contra um vilão, mas entre dois grupos de heróis com ideologias distintas.

Um clássico contemporâneo.

Guerra Civil está facilmente disponível nas livrarias brasileiras como um encadernado da editora Panini.

***

Bem poderíamos ter outras aventuras listadas, mas a seleção aqui representada dá um panorama excelente da carreira do vingador dourado nos quadrinhos. E serve como um bom guia para aqueles que conhecem o Homem de Ferro fundamentalmente dos cinemas e deseja conhecê-lo melhor em sua fonte original, nas HQs. Fica a dica…

O Homem de Ferro foi criado por Stan Lee, Larry Lieber, Jack Kirby e Don Heck em 1963, na revista Tales of Suspense 39, e desde então é publicado pela Marvel Comics. O personagem é membro fundador dos Vingadores.