O lançamento da nova versão remixada do álbum Let it Be dos Beatles colocou a banda britânica de volta ao número 1 das paradas de sucesso dos Estados Unidos. As informações são da Billboard, revista responsável por coletar o mais famoso ranking de vendagens do país. O lançamento original do álbum foi em 08 de maio de 1970, e o quarteto de Liverpool relançou uma versão remixada do disco, com uma tecnologia mais avançada, e carregada de 5 discos de material extra.

Segundo a Billboard, a semana que se encerrou no dia 21 de outubro trouxe os Beatles no primeiro lugar da parada Top Album Sales, ou seja, os álbuns mais vendidos. Todavia, esta não é a parada principal da Billboard, já que a Billboard 200, que traz os 200 álbuns de maior sucesso, contados a partir de várias plataformas: desde as vendas de discos propriamente ditas (o tema da Top Album Sales) e adicionando outras formas mais modernas de consumo, como streamings, downloads, visualizações no YouTube etc. Contabilizando todas essas metodologias, Let it Be ficou no 5º lugar da Billboard 200, o que ainda é uma posição incrível para uma banda que encerrou suas atividades há 51 anos atrás.

Como a Billboard também estratifica seus rankings por outras categorias, Let it Be chegou ao primeiro lugar não somente da Top Album Sales, mas também de outras listas: Catalog Albums (discos antigos, mesmo que relançados), Soundtracks (trilhas sonoras, já que o disco também serve como trilha sonora do filme de mesmo título, também lançado em 1970) e Tastemaker Albums (discos de grande impacto cultural).

Para compor sua lista de mais vendidos, a Billboard leva em consideração todas as versões do Let it Be no mercado, que incluem a edição original em CD (lançada nesse formato originalmente em 1987 e recolocada no mercado de modo constante desde então), a versão remasterizada de 2009 e os lançamentos deste ano, que estão em vários formatos, como CD simples (apenas com a nova mixagem 2021), CD duplo (adicionado os melhores momentos do box set) e as versões mais completas com 6 CDs lançadas no box set. Também incluem os formatos em vinil (LP).

O Let it Be é um dos 19 álbuns dos Beatles que já chegaram ao primeiro lugar da Billboard, o que é um recorde exclusivo da banda. O álbum originalmente lançado em 08 de maio de 1970 chegou ao número 1 da parada na lista da semana do dia 13 de junho daquele ano e passou quatro semanas no primeiro lugar (até 04 de julho). O disco permaneceu no Top 10 até a lista do dia 08 de agosto, quando estava na 4º posição, e permaneceu muitos e muitos meses no Top 200. A última vez que o disco tinha reaparecido no Billboard 200 foi na lista de 04 de dezembro de 2010, no ano de 40º aniversário do álbum e pouco tempo após o relançamento do catálogo da banda com uma nova e mais moderna remasterização em 2009.

Let it Be é parte de uma série de relançamentos da obra tardia dos Beatles, com novas mixagens comandadas por Giles Martin, renomado produtor musical e filho de George Martin, o lendário produtor que conduziu as gravações originais do grupo. Já haviam sido lançadas versões remixadas de Sgt. Peppers em 2017, The White Album em 2018 e Abbey Road em 2019. Let it Be era para ter saído em 2020, mas foi postergado pela pandemia de Covid-19.

Contudo, diferentemente dos anteriores, Let it Be vem em um pacote mais robusto, pois além do box set (conheça o material lançado em detalhes clicando aqui) também chegam ao consumidor um livro em capa dura sobre o complicado processo de gravação do disco e o documentário The Beatles: Get Back, mostrando as filmagens das gravações, dirigido por Peter Jackson (das Trilogias O Senhor dos Anéis e O Hobbit) e que será exibido em três capítulos, totalizando 6 horas no Disney+ e com estreia em 25 de novembro próximo.

A capa do box set.

Let it Be foi o último álbum inédito lançado pelos Beatles, e chegou às lojas já depois do anúncio do fim da banda. Contudo, não foi o último trabalho do grupo – que foi o álbum Abbey Road, de 1969 – mas fruto de uma série de sessões ocorridas mais de um ano antes. Let it Be era fruto de um projeto de criar um documentário mostrando a banda criando uma série de canções novas para apresentar um concerto de canções inéditas para lançá-las como um disco ao vivo e um filme. Contudo, a partir do início, em 02 de janeiro de 1969, aparentemente, tudo deu errado, com tensões entre o grupo, discussões, falta de foco e a resistência intransponível de George Harrison em realizar o tal concerto, que terminou sendo cancelado. Dessa forma, a filmagem terminou se transformando num registro dos Beatles tentando gravar um álbum ao vivo no estúdio, sem trucagens, mas nem isso deu certo. No fim, a banda ainda chegou a fazer um show de improviso no telhado de sua gravadora, a Apple, no famoso The Rooftop Concert, em 30 de janeiro de 1969, para tentar dar um fim digno ao filme. As sessões foram reunidas para compor um novo álbum, mas a insatisfação da banda era tanta que o processo demorou 16 meses para chegar às lojas.

O filme Let it Be foi lançado também em maio de 1970, dirigido por Michael Lindsay-Hogg, que comandou as filmagens, e chegou a ganhar o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original. O filme sempre foi pensado como um documento que mostrava o fim da banda, por seu clima frio, tenso e pouco amigável. Contudo, o novo filme Get Back, montado por Peter Jackson a partir do material original (56 horas de gravação!) é vendido como uma nova visão sobre o que aconteceu, apontando um clima mais leve e divertido do que se pensava, pelo o que é mostrado nos trailers até agora exibidos.

Saiba tudo sobre a gravação do Let it Be nesse Dossiê Especial do HQRock!