Segundo o tabloide britânico The Sun, os Rolling Stones fizeram a turnê musical mais lucrativa do ano de 2021, liderando isolados a arrecadação de concertos deste ano tão atípico. A banda formada por Mick Jagger, Keith Richards e Ron Wood arrecadou a incrível soma de US$ 87,2 milhões com apenas 12 shows de sua turnê No Filter, realizados nos Estados Unidos ao longo do ano.

Os Rolling Stones ao vivo em 2021.

O jornal ainda diz que o valor é mais de 20 milhões superior ao segundo colado, o cantor Harry Styles, que realizou 30 shows. O terceiro lugar é ocupado pela Hella Mega Tour, o evento bombástico que reúne a excursão conjunta de Green Day, Weezer e Fall Out Boy, que acumulou 50 milhões.

Outros números de rock tiveram destaque no Top10 das maiores turnês de 2021: o Eagles ficou em lugar (44 milhões); Dead & Company em (que reúne ex-membros da clássica banda Grateful Dead junto a convidados, como John Mayer – com 37 milhões); os Guns’n’Roses em (35 milhões); e a Dave Matthews Band em (34 milhões).

Contudo, considerando apenas a quantidade de ingressos, o maior foi Styles, com quase 670 mil pagantes em 2021.

São números modestos. É preciso considerar que após 14 meses de pandemia de Covid-19, somente no segundo trimestre deste ano os concertos em grande escala – e cheios de restrições sanitárias – puderam ser retomados.

Os Rolling Stones ao vivo em 2016.

Para efeito de comparação, o HQRock noticiou em 2018 que os Rolling Stones haviam sido o 10º lugar entre as maiores turnês daquele ano, somando US$ 116 milhões, ou seja, 25% a mais do que este ano. No caso dos Stones, 2018 foi um ano “de baixa”, já que o grupo fizera turnê apenas na Europa e na Ásia, deixando os EUA de fora, que são o mais robusto e rico mercado de shows do mundo. A banda fizera concertos naquele país em 2015 e apenas um festival em 2016, ano no qual fez shows na Europa e na América do Sul (Brasil incluso), voltando aos EUA em 2019.

Mas para a comparação ficar mais perfeita, perceba que em 2018 o artista de rock que mais faturou com shows fora Roger Waters (baixista e ex-líder do Pink Floyd), que arrecadara US$ 131 milhões e ficara em 8º lugar do ranking, com sua turnê Us + Them, que rodou por EUA, Europa e América do Sul (Brasil incluso). Só que Waters e os Stones estavam muito longe dos primeiros lugares do ranking: quem mais arrecadou com shows naquele ano foi Ed Sheeran, com 432 milhões!

A diferença entre o primeiro lugar de 2018 (Sheeran com mais de 400 milhões) e o primeiro lugar de 2021 (os Stones com mais de 80 milhões) é brutal, mas ao menos mostra que há alguma esperança dos concertos regressarem com força total em 2022 – desde que novas ondas da pandemia não atinjam o mundo. Os números atuais indicam pequenas ondas ocorrendo com alguma frequência em países que voltaram mais ou menos à normalidade, como Reino Unido, França ou China. Pelo menos no Brasil, a maior parte dos que sofrem internamentos graves ou chegam à óbito pela Covid-19, atualmente, são do grupo dos não vacinados, diz o portal UOL. Mas a ameaça de novas variantes – que podem se desenvolver a partir de mutações em pacientes não vacinados – está sempre à espreita.

Mick Jagger.

Todavia, a despeito da queda dos números de arrecadação dos shows, ainda é um marco importante que os Stones estejam à frente dessa retomada. Ainda mais porque os concertos de No Filter são, na verdade, a reposição de uma série de shows que precisaram ser adiados em 2020, por causa da pandemia. A banda realizara uma primeira “perna da turnê” em 2019 – que chegou a ser adiada por dois meses após o vocalista Mick Jagger ter se submetido a uma cirurgia cardíaca, mas ocorreu sem percalços, depois. A segunda perna em 2020 não rolou.

Infelizmente, nesse ínterim, o baterista do grupo, Charlie Watts, ficou doente e o conjunto chegou a anunciar que, para não adiar novamente os shows de 2021, iria substituir temporariamente Watts por Steve Jordan, músico que já fazia parte da “panelinha” deles desde os anos 1980. Mas Watts não resistiu e faleceu em 24 de agosto deste ano. Apesar da perda – e tendo em vista os planos anteriores – os Stones decidiram honrar os compromissos e realizaram a turnê que lhes valeu a primeira colocação em arrecadação do ano.

Os Stones com Steve Jordan na bateria.

Não está exatamente definido o futuro da banda após a partida de Watts, mas os Stones já haviam iniciado as gravações de um novo álbum, que provavelmente será terminado e lançado em algum momento do futuro breve. E também é bastante provável que o grupo volte a excursionar mantendo Jordan como músico de apoio.

Os Rolling Stones foram fundados em Londres, em 1962, e lançaram suas primeiras gravações no ano seguinte. Um dos grupos de maior sucesso da história do rock nas décadas de 1960 e 70, a banda nunca encerrou as atividades e se manteve relevante e uma instituição sólida do mainstream do rock. O álbum mais recente é Blue & Lonesome, de 2016, e completará 60 anos de atividades no ano que vem.