Com fim da Saga do Infinito (os 22 filmes apresentados em 11 anos), o Marvel Studios começa a se movimentar rumo à nova fase e um dos artífices desse momento é a Capitã Marvel, cujo filme fez mais de US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais. Mas uma das questões que os fãs começaram a discutir é se Carol Danvers é lésbica, o que vem no esteio do aumento da representatividade nos filmes dos Vingadores.

A discussão começou a partir de uma entrevista dos diretores Joe e Anthony Russo sobre Vingadores – Ultimato na qual dizem que um dos personagens do filme já era gay e que isso seria revelado em breve pelo presidente do Marvel Studios, Kevin Feige.

A questão então mudou de “quando teremos um personagem gay?” para “quem é o personagem gay?”.

Há alguns “suspeitos”, dentre eles, Valquíria é a candidata mais forte, simplesmente porque uma cena excluída de Thor – Ragnarok dá a entender que ela é bissexual. Mas existem vários outros.

E a Capitã Marvel é um desses.

O falatório em cima de Carol Danvers ser lésbica começou por dois motivos: não há um interesse amoroso à personagem em seu filme (o que é algo que rompe o padrão de Hollywood) e por causa da forte amizade com a personagem Maria Rambeau, sua colega de aeronáutica.

O Comic Book Movie falou sobre o tema com os diretores Anna Boden e Ryan Fleck, de Capitã Marvel, e lhes perguntou se pensaram em explorar a sexualidade de Carol Danvers no filme. Fleck respondeu:

Esta [explorar sua sexualidade] foi uma daquelas coisas quando estávamos no estágio de escrita [do roteiro] e o céu é o limite e o filme pode ser qualquer coisa. Estávamos discutindo: “vamos ter algum tipo de relacionamento romântico com esta personagem?”.

Não era como uma oposição filosófica perseguir aquela narrativa, apenas ficou de lado na história que estávamos contando. Sabíamos que queríamos uma história de autodescoberta e queríamos amizade, e a amizade dela com Maria para ser uma grande parte daquilo. Não havia espaço para qualquer trama romântica para nós.

Eu sei que as pessoas estão tirando as suas próprias conclusões sobre isso e acho que é parte do que é realmente divertido nesses filmes, que é eles se tornarem filmes da audiência, que cria qualquer tipo de narrativa que eles queiram que aconteça fora de tela. Para nós, como narradores, é uma amizade [entre Carol e Maria] e uma história sobre isso e autodescoberta.

A pressão por mais representatividade vem se fazendo já há alguns anos em Hollywood e ganhou ainda mais força a partir do movimento MeToo. O Marvel Studios captou isso e vem fazendo bonito: Pantera Negra foi bem recebido porque evoca à ancestralidade africana e empodera as mulheres, ao mesmo tempo em que Capitã Marvel também reforça o women power com sua heroína que é a mais poderosa de todos no universo dos Vingadores.

Também é perceptível como personagens femininas (Gamora, Nebula, Viúva Negra, Feiticeira Escarlate, Shuri, Okoye, Pepper Potts…) ganharam pelo menos mais alguns momentos de holofotes nos últimos filmes, em particular, nas Batalhas Finais de Guerra Infinita e Ultimato, embora não tenham tido todo o seu potencial explorado.

A representatividade também se dá pelos negros – além do universo de Pantera Negra – que tem Falcão, Máquina de Combate e Valquíria como representantes fortes; mas faltam os gays. Já houve algumas movimentações à inclusão de gays nos filmes dos heróis, principalmente, pedidos dos fãs, mas a coisas ainda não se efetivou em explícito.

Ultimato traz Steve Rogers em um grupo de ajuda por aqueles afetados pela Dizimação de Thanos (o estalar de dedos que matou metade da população do universo) e um dos falantes é um homem gay – vivido inclusive pelo co-diretor Joe Russo – e esse é o primeiro personagem abertamente gay da franquia. Mas é só um figurante e devem aparecer outros mais importantes no futuro breve.

Já foi rumorizado que Os Eternos traria o primeiro personagem abertamente gay da Marvel e que este seria Ikaris, um dos protagonistas, que aparentemente será vivido por Richard Madden.

Voltando à Capitã Marvel, o CBM também questionou se a dupla de diretores tinha interesse em fazer um filme da A-Force, uma equipe derivada dos Vingadores nos quadrinhos formada apenas por mulheres. Anna Boden respondeu:

Você está nos fazendo uma oferta de trabalho? (risos).

E Ryan Fleck complementou:

Nós somos fãs de todos esses personagens como todo mundo e estamos muito animados em ver o potencial para todos eles seguindo em frente.

Então, como Carol Danvers seguirá em frente? Seu filme será ainda no passado ou vamos adiantar no tempo e vir até o presente (+ 5 anos?) e conferir as aventuras da Capitã Marvel nos dias de hoje? Boden falou:

Acho que há uma tonelada de opções para Carol e diferentes narrativas a serem exploradas. Há uma riqueza enorme de oportunidades e vamos apenas deixar nesses termos (risos).

Por fim, o CBM também perguntou o que acharam de ver a Capitã Marvel em Vingadores – Ultimato e a resposta de Anna Boden foi a mais entusiasta de todas!

[Ultimato] é um dos meus filmes favoritos. Eu amei demais! Foi frenético vê-la [a Capitã Marvel] naquele filme e quando ela vem durante o 3º Ato para aquela Batalha Final, eu literalmente quase pulei fora do meu assento e com certeza gritei muito alto (risos). Foi mesmo muito excitante!

Não está confirmado que Anna Boden e Ryan Fleck irão retornar para dirigir Capitã Marvel 2, mas é muito provável tendo em vista o sucesso do primeiro filme. Segundo o cronograma de filmes vindouros do Marvel Studios, é também muito provável que a sequência das aventuras de Carol Danvers chegue aos cinemas em 06 de maio de 2022.

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